Dimitri Blackthorn
O beijo dela ainda queimava nos meus lábios quando o uivo cortou o ar agudo, distante, mas inconfundível.
Não era um chamado qualquer. Era um aviso.
Afastei-me devagar, os sentidos aguçados de imediato. O cheiro da floresta, o vento mudando de direção, o coração acelerado sem saber exatamente por quê.
Scarlett franziu a testa.
— Você ouviu isso, não ouviu?
Assenti, me levantando da cama em um único movimento. Peguei a calça jogada no chão e a vesti, os músculos em alerta. Meu lobo já se agitava sob a pele, reconhecendo que algo se aproximava. Algo antigo. Familiar.
— Quem é? — ela perguntou, a voz agora tensa.
— Dimitri...?
— Dimitri morreu — respondi, com um meio sorriso sombrio. — O que sobrou dele não vai deixar ninguém tocar em você.
Saí do quarto em passos silenciosos, guiado pelo instinto. No corredor, os quadros da antiga alcatéia ainda estavam pendurados, mas a casa já não tinha o mesmo cheiro. Estava impregnada de passado, dor e de algo novo: San