O nome dele passou a ecoar na minha cabeça de um jeito que não fazia antes. Não como um pensamento proibido, mas como algo inevitável. Miguel. Sempre Miguel. Era curioso perceber que ele sempre esteve ali, presente em almoços de família, conversas triviais, risadas que eu nunca ouvi com a devida atenção. Só agora, quando tudo começava a desmoronar, eu enxergava.
Acordei com o corpo pesado naquela manhã. Não de cansaço comum, mas de uma inquietação que se alojava entre o peito e o estômago, como um aviso silencioso. Meu marido ainda dormia ao meu lado, virado para o outro canto da cama, distante até no sono. Observei seu rosto por alguns segundos e senti… nada. Nenhuma culpa, nenhuma ternura. Apenas um vazio resolvido.
Levantei-me devagar, tentando não fazer barulho. Na cozinha, preparei café sem vontade, sentindo o estômago revirar com o cheiro forte. Ignorei a sensação, atribuindo ao estresse acumulado. Era mais fácil pensar assim.
O celular vibrou sobre a mesa.
Uma mensagem de Migue