Selene
Iara me encontrou no corredor lateral, aquele mais estreito, com as pedras lisas de tanto serem tocadas. Trazia um pano no braço, cheirando a erva e sabão. Ela me olhou do jeito que olha quem viu a gente crescer sem estar perto.
— Está inteira? — perguntou.
— Inteira. — respondi — Só cansada de ter que explicar o óbvio.
Ela deu um risinho.
— “Óbvio” demora a entrar na cabeça de quem teve medo a vida inteira.
— E o que os corredores estão dizendo hoje? — perguntei, sem ironia.
Iara suspir