Clara acordou com o som de um passarinho na janela.
Era um canto repetitivo, mas não incômodo. Quase parecia que o bicho estava ensaiando uma música que ela já tinha ouvido em algum lugar.
Vestiu um moletom de algodão claro e desceu descalça até o ateliê improvisado.
Na cozinha, ouviu Sol dizendo que sairia com André até o centro da cidade.
Ela respondeu com um aceno distraído.
Hoje queria silêncio.
Sobre a mesa, duas telas secando.
A da espiral, com camadas sobrepostas e fragmentos de palavras