“Quando a vida cobra, ela não pergunta se você está pronto. Ela só apresenta a conta e chama isso de justiça.”
Riviera estava visivelmente tenso enquanto ajustava o notebook ao lado de Cássio, na sala ampla e silenciosa. O chefe havia exigido discrição — e ele entendia o motivo. Aquela reunião teria impacto direto na empresa. Ainda assim, Riviera sabia que insistir num julgamento poderia ser devastador, talvez irreversível. Não era correto esconder nada de acionistas e investidores, mas, no fim, a hierarquia falava mais alto. Mandava quem podia; obedecia quem tinha juízo.
Quando puxou a cadeira para mais perto, Cássio o interrompeu, seco:
— Não quero aparecer na transmissão.
Riviera ergueu os olhos. Ao notar novamente os hematomas ainda marcados no rosto do chefe, compreendeu sem precisar perguntar.
— Tudo bem. Acredito que não será um problema — respondeu.
Reposicionou o computador, ajustando o enquadramento para que apenas ele aparecesse na tela. Em seguida, revisou seus arquivos.
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