“Há momentos em que não se trata de vencer — mas de saber onde parar o traço.”
Cássio acordou com o corpo pesado, como se tivesse dormido sob concreto. Cada movimento exigia esforço. Abriu os olhos devagar, sentindo o latejar familiar no nariz e uma pressão incômoda atrás dos olhos.
Pegou o celular sobre o criado-mudo. Uma notificação piscava na tela.
Riviera: “Reunião confirmada para hoje à tarde. Helena e a Dra. Lívia aceitaram conversar.”
Ele fechou os olhos por um instante mais longo do que o necessário. Levantou-se e seguiu até o banheiro, caminhando como quem atravessa um terreno instável. Diante do espelho, parou. Os hematomas sob os olhos estavam ainda mais evidentes — um degradê feio de roxo, verde e amarelo denunciando a violência recente. Tocou o curativo no nariz com cuidado; a dor respondeu imediata, viva.
Engoliu um analgésico a seco, sem água, como se merecesse o desconforto. Tomou banho rápido, vestiu-se mecanicamente, sem se reconhecer nos próprios gestos. Tudo nele p