“Toda tela tem um ponto em que a tinta ainda está fresca demais para suportar outra camada.”
Cássio mal podia esperar para chegar em casa e deixar aquele dia para trás. A cabeça latejava; o analgésico da manhã já perdia o efeito. Riviera o informara que havia contatado a advogada de Helena e que aguardava resposta. O trabalho seguia dentro do prazo — não havia muito mais a fazer.
Ao entrar no elevador para ir embora, uma mão surgiu entre as portas em movimento, impedindo que se fechassem. Quando se abriram novamente, Silvia estava do outro lado.
Ela fingiu constrangimento pela interrupção, sorriu de leve e pediu desculpas antes de entrar. Permaneceu quieta ao lado dele enquanto as portas tornavam a se fechar.
Para Cássio, ela parecia diferente — talvez triste. Provavelmente pelo modo como ele a vinha tratando nos últimos dias. Afinal, que mulher suportaria ficar ao lado de alguém enquanto ele corre atrás de outra?
Uma pontada de culpa e vergonha o alcançou.
— Sobre ontem… obrigada por