“Quando o amor já não é possível,
as pessoas chamam de escolha aquilo que é apenas rendição.”
Silvia estava sentada em sua sala, o computador ligado à sua frente, mas a atenção não estava ali. Carregava um vazio estranho no peito, oco, como uma casca de ovo sem nada dentro.
Helena, ao que tudo indicava, havia saído definitivamente do jogo. Ainda assim, permanecia como uma ameaça constante. Mesmo sem possibilidade de retorno, continuava impregnada na mente e no coração de Cássio. O estado em que ele ficara na noite anterior — largado, ferido, quebrado — era prova disso.
Silvia não suportou ficar mais tempo. Não preparou café, não encenou o papel de esposa dedicada naquela manhã. Estava cansada demais de repetir uma performance que já sabia não funcionar.
Pegou o celular, desejando pela primeira vez que ele vibrasse com uma ligação de Dante.
A batida na porta a arrancou da inércia.
— Entre! — gritou, sem se levantar, já erguendo o rosto.
Esther entrou, e o cansaço de Silvia se aprofundo