“Chega um momento em que o passado fala… e a gente percebe que não deve mais respostas.”
Santiago logo se enturmou, participando da conversa com a mesma naturalidade e energia que Helena irradiava. Não demorou para que todos percebessem o quanto aqueles dois combinavam — como se um completasse as pausas do outro, como se falassem a mesma língua mesmo quando estavam em silêncio. Era impossível não admirar… e, para alguns, não sentir uma pontinha discreta de inveja daquilo que compartilhavam.
E havia ainda o detalhe que não passava despercebido: um dos maiores galeristas do país não apenas aparecera ali carregando sacolas de comida, como também se sentara à mesa, rindo, ouvindo ideias, comendo ao lado deles. Aquilo não era só gentileza — era um privilégio. E todos sabiam.
Quando terminou de comer, Santiago tocou de leve a perna de Helena sob a mesa, chamando sua atenção.
— Preciso voltar. — disse baixo. — Vim mesmo só para ver como você estava… e alimentar o seu monstrinho interior — so