Sentindo um desconforto raro chamado culpa, Cássio escreveu uma mensagem a Renato:
“Você anda sensível demais. Não precisa levar tudo tão a sério. Que tal você e a Tânia nos acompanharem na exposição hoje à noite?”
A mensagem foi enviada, mas a espera pela resposta caiu no vazio.
Passou a mão na cabeça, mas o gesto não o acalmou. Retornara, mas sentia-se sem bússola interna. Passou os olhos pelo escritório como quem procura um ponto de partida. Estava, de fato, na cidade outra vez — mas crescia nele a sensação estranha de que aquela vida, agora, tinha outra moldura. E ele já não cabia nela.
Puxou o ar para os pulmões com esforço silencioso e tomou uma decisão prática: iria até a delegacia antes que a polícia batesse outra vez à sua porta. Se antecipar ao confronto parecia mais sensato do que aguardar por ele.
O motorista parou diante do prédio da Polícia Civil. A fachada era impessoal, cinza e funcional, sem o dramatismo ou luxo. Cássio desceu acompanhado de Riviera, que logo o aprese