Ele…
Não disse para onde ia.
Apenas avisei que precisava de um tempo, que sairia por algumas horas, e pedi para que Hayla não me procurasse.
Havia algo em meu olhar que ela conhecia bem — uma sombra antiga, uma dor profunda que me tornava ainda mais silencioso do que o normal.
Ela respeitou.
Não insistiu.
Mas eu sabia que ela sabia que, no fundo, algo pesado se acomodava no meu peito, e eu não queria dividir aquilo, pelo menos não ainda.
Foi ao fim daquela tarde cinzenta e calma que percebi, com uma clareza dolorosa, que eu precisava ir até lá.
Até aquele lugar onde nunca mais tinha ido, nem mesmo depois do sepultamento da minha esposa, Luísa, e da minha filha.
O cemitério.
Não por medo, não por fugir, mas porque precisava encarar.
Era hora de me despedir do que ficou mal resolvido, da culpa, do arrependimento que me sufocava há anos.
Caminhei lentamente entre os túmulos, vestido com meu casaco escuro — aquele que uso quando quero desaparecer do mundo, me esconder d