####CAPÍTULO 11

Passamos o restante do dia imersas em uma verdadeira maratona. Entre as sessões de depilação, os últimos cuidados no salão e as compras na Target, o tempo voou sem que eu sequer percebesse. Carregamos o porta-malas do carro com as sacolas de roupas executivas, cosméticos e as peças novas das crianças.

Assim que estaciono em frente à escola, sinto meu peito se encher daquela expectativa gostosa de todos os finais de tarde. Desço do veículo ao lado de Caroline e caminho até o portão de saída, onde Zara e Owen já aguardam com suas mochilas nas costas.

Assim que me aproximo, Zara arregala os olhos castanhos e dá dois passos para trás, analisando meu rosto com uma mistura de surpresa e encantamento.

— Mamãe... é você mesmo? — ela pergunta, levando as mãozinhas à boca.

Sorrio, inclinando-me na altura dela.

— Sou eu sim, meu amor.

— Você está muito diferente! — Owen intervém, aproximando-se e tocando de leve a ponta da minha jaqueta. — O seu óculos está menor, e cadê aquele aparelhinho do seu dente?

Ajoelho-me no chão da calçada e os puxo para um abraço apertado, sentindo o cheiro acolhedor deles.

— A mamãe tirou o aparelho hoje e trocou os óculos porque depois de amanhã eu começo a trabalhar no meu novo emprego — explico, acariciando os cabelos do meu filho. — E como o vovô e a vovó estão vindo buscar vocês para vocês passarem as férias de verão em Michigan, a mamãe precisava se arrumar um pouquinho.

Zara segura o meu rosto com suas mãozinhas macias e me encara com uma admiração genuína que faz qualquer cansaço desaparecer.

— Você é muito linda, mamãe.

— Eu acho ela a mãe mais linda do mundo inteiro! — Owen decreta com convicção, cruzando os braços e estufando o peito.

Sinto meus olhos marejarem com o carinho deles. A opinião de qualquer pessoa no mundo se torna absolutamente irrelevante perto do amor dos meus filhos.

— Eu também acho vocês os príncipes mais lindos do mundo — digo, beijando a bochecha de cada um. — Agora vamos, meus amores. Entrem no carro que a tia Carol está de motorista hoje.

Acomodo os dois nas cadeirinhas no banco traseiro, afivelando os cintos de segurança com todo o cuidado. Enquanto travo os fechos, Owen me encara curioso.

— O vovô e a vovó vêm buscar a gente amanhã de verdade?

— Vêm sim — respondo, ajeitando a alça da mochila dele. — E a mamãe comprou um monte de roupas novas para vocês levarem na mala.

— Ah, mas quando a gente chega lá, a vovó e o vovô compram tudo de novo pra gente! — Zara comenta, rindo. — Mamãe, a gente vai poder ir pra Disney este ano?

Dou um sorriso paciente, inclinando a cabeça.

— Só se o vovô e a vovó levarem vocês, minha vida, porque a mamãe não vai poder ir agora. Eu vou começar no meu trabalho novo e só vou poder viajar com vocês quando entrar de férias. Mas o vovô e a vovó não são super divertidos?

— São! — os dois respondem em coro.

— E vocês ainda vão reencontrar todos os seus amiguinhos lá em Michigan — lembro, fechando a porta com cuidado e me sentando no banco do passageiro, ao lado de Caroline.

— Tá bom, mamãe — Zara concorda.

Enquanto Caroline liga o motor e entra no fluxo do trânsito, viro-me para o banco de trás para continuar conversando com eles.

— Quando a gente chegar em casa, a mamãe vai colocar as roupas novas em vocês para experimentar o tamanho. Depois vou colocar tudo para lavar na máquina, secar, passar e deixar as malas de vocês prontas. Assim vocês viajam amanhã bem organizados e a mamãe pode ir trabalhar sossegada, e a tia Carol também.

Caroline olha pelo retrovisor e dá uma pisca para as crianças.

— A tia Carol hoje nem foi trabalhar, sabia? Tirei o dia todinho só para perturbar a mamãe de vocês! Diga aí, meus amores, a mamãe não está absolutamente linda?

— Tá sim, tia Carol! — Owen exclama, batendo palmas.

— Eba! — Zara comemora.

— Pois é — Caroline continua, com aquele tom brincalhão de sempre. — A tia Carol fez ela se arrumar todinha para que, quando ela pisar naquele emprego novo depois de amanhã, todo mundo veja o quanto a mãe de vocês é maravilhosa.

Olho para Caroline, balançando a cabeça com um sorriso divertido e resignado.

— Você é simplesmente impossível, Carol.

Ela tira uma das mãos do volante por um segundo e aperta a minha com carinho.

— Não sou impossível, amiga. Eu te amo e só quero que o mundo veja a mulher incrível e linda que você sempre foi. Você não precisava continuar se escondendo.

Suspiro devagar, recostando a cabeça no banco enquanto encaro a paisagem da cidade pela janela.

— Não é que eu me escondia, Carol... Você sabe que eu sempre me senti confortável com moletom, jeans e tênis. E o aparelho no dente eu tive que usar durante todos esses anos principalmente por causa do meu problema severo de ATM e da articulação. Não foi só estética. Mas hoje eu tirei o aparelho, amanhã faço a sessão final do clareamento e, depois de amanhã, é o grande dia.

Caroline manobra o carro e entra na nossa rua, embicando no estacionamento do edifício.

— Crianças, chegamos em casa! — aviso, destravando o cinto e me preparando para a noite intensa de tarefas de mãe que ainda tenho pela frente.

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