####CAPÍTULO 12

Assim que a porta do apartamento se abre, a correria infantil toma conta da sala. Zara e Owen tiram os sapatos na entrada e correm para o sofá, enquanto Caroline e eu entramos carregadas de sacolas. O cheiro familiar de casa traz um conforto imediato, mas o trabalho da noite está apenas começando.

— Crianças, direto para o quarto — aviso, colocando as sacolas da Target sobre a mesa de jantar. — A mamãe vai pegar as roupas novas para vocês experimentarem agora. Se tudo servir direitinho, já coloco na máquina para lavar.

— Eu quero ver a minha primeiro! — Owen grita do corredor, tirando a mochila dos ombros e jogando sobre a cama.

— Não, a minha primeiro! — Zara rebate, correndo logo atrás do irmão.

Caroline deixa as chaves sobre o aparador e solta um suspiro longo, jogando o corpo no sofá da sala.

— Meu Deus, Hadasha. Eu amo esses dois, mas de onde eles tiram tanta energia depois de um dia inteiro na escola?

— Chama-se infância — dou uma risada, pegando as tesouras para cortar as etiquetas das roupas infantis. — E você aceitou esse pacote completo quando decidiu me acompanhar hoje.

— E faria tudo de novo — ela ri, ajeitando a cabeça na almofada. — Mas agora eu declaro minha folga oficial. Vou pedir uma pizza para a gente enquanto você faz a maratona das malas.

— Fechado. Pede aquela de quatro queijos que as crianças adoram.

Vou até o quarto deles com os braços cheios de conjuntos novos, camisetas, bermudas e vestidos leves. Zara e Owen já estão prontos, esperando como dois pequenos modelos prestes a entrar na passarela. Durante a meia hora seguinte, o quarto vira um turbilhão de peças sendo vestidas, giradas em frente ao espelho e tiradas com pressa.

— Ficou perfeito, mamãe! — Zara comemora, dando uma voltinha com o vestido azul-florido. — Posso ir com este amanhã para a casa do vovô?

— Pode sim, meu amor — beijo a testa dela. — Mas agora tira para a mamãe colocar na máquina.

Com tudo provado e aprovado, separo o lote de roupas novas e levo direto para a lavanderia do apartamento. Programo a máquina no ciclo rápido com bastante amaciante. Enquanto o barulho da água preenche o ambiente, volto para o quarto das crianças para encarar as malas de viagem que meu pai enviou na semana passada.

Puxo as gavetas da cômoda e começo a selecionar as peças que eles vão levar para Michigan. Cada camiseta dobrada, cada par de meias colocado no canto da mala me traz um aperto doloroso no peito. Serão três meses longe deles. Desde o dia em que nasceram, nunca passei mais de vinte e quatro horas separada dos meus gêmeos.

— O que foi, amiga? — a voz da Caroline surge suave na porta do quarto. Ela encosta no batente, observando minha hesitação com uma peça de roupa na mão.

Engulo em seco, tentando segurar a emoção.

— Nada... É só que... A casa vai ficar tão silenciosa sem eles.

Caroline entra no quarto e se senta ao meu lado no tapete, apoiando a mão no meu ombro com carinho.

— Vai ser estranho nos primeiros dias, eu sei. Mas pensa pelo lado bom, Hadasha: seus pais vão estragar esses dois de tanto carinho, eles vão amar reencontrar os primos e você vai conseguir focar 100% nas suas primeiras semanas na Mobility & Energy. Você precisa desse tempo para se estabilizar no cargo.

— Eu sei — suspiro, ajeitando a dobra da bermudinha do Owen. — Mas o coração de mãe não obedece à lógica, Carol. Vou sentir uma falta absurda de acordar com eles pulando na minha cama.

— E por isso mesmo existe a videochamada — ela sorri, tentando me animar. — Você vai falar com eles todo santo dia depois do expediente. E quando você menos esperar, os três meses passam e eles estão de volta, cheios de histórias para contar.

— Você tem razão — dou um sorriso fraco, fechando o zíper da primeira mala.

O campainha toca na sala, anunciando a chegada da pizza. As crianças correm pelo corredor comemorando, e Caroline se levanta para atender o entregador.

A noite segue em um ritmo caloroso e gostoso. Comemos na mesa da cozinha, entre risadas, histórias das crianças sobre a escola e as brincadeiras que pretendem fazer na casa dos avós. Assim que terminam, coloco os dois no banho, visto os pijamas cheirosos e os acomodo na cama.

Ajoelho-me entre os dois colchões, fazendo a nossa oração da noite como faço desde que eram bebês.

— Papai do Céu — Zara murmura com os olhinhos fechados e as mãos postas —, abençoe a mamãe no trabalho novo dela e abençoe a nossa viagem amanhã com o vovô e a vovó. Amém.

— Amém — Owen completa, bocejando logo em seguida.

Beijo a testa de cada um, cobrindo-os com os edredons.

— A mamãe ama vocês mais do que tudo neste mundo — sussurro no escuro do quarto.

— A gente também te ama, mamãe — Owen responde já com a voz pesada de sono.

Deixo a porta entreaberta com a luz do corredor acesa e volto para a lavanderia. Passo o restante da noite estendendo as roupas novas na secadora, passando cada peça com cuidado e organizando as últimas sacolas que irei doar ao orfanato.

Quando finalmente me deito na minha cama, passa da meia-noite. Olho para o teto do meu quarto, sentindo o corpo exausto, mas a mente absurdamente tranquila. Amanhã meus pais chegam de Michigan para levar meus filhos, e depois de amanhã o meu passado e o meu futuro vão se cruzar no corredor da maior multinacional do país.

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