Protegida Pelo Mafioso

Protegida Pelo MafiosoPT

Romance
Última actualización: 2026-02-28
Lili Marques   Recién actualizado
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Resumen
Índice

Sinopsis

Cris Rossi nasceu para ser o Don da Cosa Nostra, mas escolheu trocar de lugar com o irmão gêmeo e fugir dos seus deveres. Elizabeth, é uma CEO bem sucedida, que precisa de proteção para si e para sua filha. E faz questão de contratar a melhor equipe de segurança do país, com Cris como chefe. Eles só não previram que o amor fosse escolher aquele momento para entrar na vida dos dois. Eram uma família feliz e perfeita, até que a mentira de Cris é descoberta o obrigando a voltar para casa por um ano. Mas quando volta ele não é mais o mesmo homem, nem se sente digno de tê-las em sua vida. Até que ponto ele é capaz de deixá-la livre? E até onde Elizabeth vai aguentar a indiferença e frieza dele?

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Capítulo 1

Prólogo

15 ANOS ATRÁS

— Tem certeza que quer fazer isso? — questionei meu irmão, mesmo que ele já estivesse na maca sendo tatuado. — Ainda dá tempo de desistir e rabiscar qualquer outra coisa sobre essa tatuagem.

— Desistir e depois o que? Você diz ao nosso pai que não vai ser o Don porque não suporta a tortura e todas as coisas podres que a famiglia faz? — Vincenzo rebateu, lançando a verdade contra mim. — Isso mataria nosso pai, o velho definitivamente enfartaria se ouvisse algo assim. Sem contar em toda a desgraça que traria ao nosso nome!

— Cazzo , eu sei! Eu sei disso, porra! Acha que já não cogitei mil vezes desistir dessa fuga e cumprir meus deveres, só para evitar o desgosto e a vergonha que se abateria sobre nossa casa? — gritei andando de um lado para o outro.

 Para a nossa sorte, Carlo, o tatuador, era de nossa inteira confiança ou tudo aquilo sairia dali rapidamente e estaríamos mortos antes do amanhecer.

— Isso também não seria justo, não só com você, mas com todos da famiglia que esperam um líder de pulso firme e que não hesite em fazer o que for preciso desde que garanta a continuação do nosso império!

Revirei os olhos andando pelo estúdio e ouvindo a ladainha dele, até mesmo aqui esse stronzo fala como um verdadeiro devoto a máfia. Mas eu tinha que agradecer a ele por ser tão doente pela organização, do contrário não estaria pronto para assumir meu lugar no comando da Cosa Nostra em alguns meses.

— Então termine de fazer as porras das tatuagens e eu vou para o aeroporto...

— Começar sua vida como Cris — ele desdenhou. — É uma puta ironia que nossa mãe tenha nos dado nomes tão parecidos quando somos o completo oposto.

— Ao menos na personalidade, porque se depender da aparência vocês são iguaizinhos, até a droga das marcas de nascença e cicatrizes são idênticas. — Carlo riu fazendo mais uma linha na pele intocada do meu irmão.

Nisso éramos diferentes, enquanto eu gostava de ter minha pele marcada pela tinta e agulha, Vincenzo nunca quis isso, ele preferia as marcas de lutas, de facas e machucados, que o deixavam bem mais intimidador.

— Isso é porque Vince detestava quando eu ganhava um novo machucado, ele tinha que fazer um igual, sempre me copiando.

— Vince seu rabo, sabe que detesto que me chame assim! — Eu apenas ri da revolta dele diante do seu apelido de infância. — Agora vai ter que ter mais respeito quando falar comigo, eu vou ser o chefe...

— Não vai ser porra nenhuma! — a voz imperiosa do nosso pai soou nos colocando em alerta, fazendo Marco pular sob seus pés, largando a máquina e a tatuagem de lado no mesmo instante. — O que pensaram que estavam fazendo com essa ideia idiota? Imbecille, due idioti che pensano di poter ingannare tutta la famiglia! 

Tínhamos conseguido irritar o velho definitivamente, mas já era de se esperar que ele reagisse assim, bastaria apenas que ele sonhasse que estávamos armando pelas suas costas para que o próprio inferno se abrisse na terra.

Papai sempre foi assim e isso não se aplicava apenas aos filhos, mas a qualquer um a sua volta, a diferença é que quase sempre acabava com sangue sendo derramado.

— O que você acha que sabe, pai? — Vincenzo foi corajoso o suficiente para perguntar, testando ainda mais sua paciência, ou talvez ele só tenha sido estúpido demais.

— Garoto, não me teste! — Nosso pai voou para cima dele até que seus narizes estivessem se tocando. — Não tente bancar o esperto comigo, você existe graças a mim, a vida dos dois me pertence!

O olhar assassino do meu pai não o intimidou, Vince não desviou o olhar ou pestanejou nem por um segundo. E eu sabia o que ele estava dizendo ao falar sobre nossas vidas, nossa mãe morreu porque ele escolheu nós dois, quando éramos crianças nosso pai precisou escolher entre salvar a mulher que ele amava ou os filhos e Don Guido nunca nos perdoou por deixar sua amada morrer.

— Pai, nós podemos explicar... — tentei intervir, conseguindo apenas desviar sua atenção assassina de Vincenzo para mim.

— Explicar que você comprou uma identidade nova? — ele me interrompeu me calando. — Um passaporte com cidadania americana que vai te levar para fora daqui, e seu irmão está aqui se tatuando para assumir seu lugar, enquanto vocês dois riem pelas costas de toda a famiglia?

Engoli em seco, sabendo que ele tinha sido muito bem informado sobre o que estávamos fazendo. Eu não conseguia imaginar quem tinha aberto a boca, mas não deveria estar surpreso, já que metade da ilha era fiel a ele.

— Perdona papà . Vamos desistir e voltar para casa, eu vou assumir meu lugar ao seu lado até sua aposentaria e tomar a cadeira quando for a hora — falei baixando a cabeça e deixando que meus ombros caírem com arrependimento, não por ter tentado, mas sim, por não termos sido espertos o suficiente para não sermos pegos.

— Não vai mais assumir nada! Acabou de mostrar que não é digno de ser chefe nem mesmo em uma cozinha! — meu pai bradou erguendo o dedo em riste direto para o meu rosto. — Eu tenho vergonha de dizer que é meu filho, meu primogênito. Um fraco é isso o que você é! Um homem que prefere fugir da sua obrigação não deveria sequer ser chamado de homem. Imagine se eu deixaria você ser meu sucessor como Don?

— Pai eu...

— Stai zitto, cazzo ! — ele socou a parede atrás ao lado da minha cabeça, não se importando em parecer maluco, queria apenas me intimidar, mesmo que eu já estivesse acostumado com seus estouros de raiva. — Não terminei de falar e nem sei se quando acabar vou querer ouvir sua voz novamente. Você queria uma nova vida então vai ter que morrer!

— Pai! — Vincenzo deu um passo, tentando ficar entre nós, mas Guido puxou a arma apontando direto para a testa dele.

— Somos sangue do seu sangue e não pode matar seu próprio sangue — falei com tranquilidade, nem precisei me mover do lugar para proteger meu irmão, pois aquela era uma regra importante para ele, ninguém podia quebrá-la e isso o incluía.

Ele abriu um sorriso sombrio enquanto olhava de mim para Vincenzo, provavelmente maquinando algo maligno naquela mente dele. Porém, nada do que ele fizesse seria pior do que o destino havia me reservado.

Matar e estripar, sentir prazer em infligir dor, era algo que eu abominava, mas era o que eles esperavam de mim, era o que já estava escrito no meu futuro.

— Não sei quando criei duas bestas como vocês, não sabem nem ao menos obedecer a uma ordem, ao menos são leais um ao outro! — ele fez uma cara de desgosto, mesmo que tivesse sido um meio elogio e sem baixar a arma deu a nossa sentença. — Vittorio, você queria ir embora da Itália e ser outra pessoa, hoje meu filho primogênito vai morrer para mim e para toda a famiglia. Você está banido daqui, se pisar os pés na Itália estará morto e não será pelas minhas mãos! Vá e viva como quem quiser, mas esqueça que um dia foi Vittorio Rossi!

Choque me varreu, eu nunca imaginei que ele me daria isso, a liberdade. Claro que era um preço alto a se pagar, abrir mão da minha família e do país onde nasci, mas nós três sempre estaríamos ligados por aquele segredo, estaríamos juntos além do sangue que corria em nossas veias.

— Tem certeza disso, papà ? — questionei, querendo ter certeza de que ele não estava brincando com nós dois.

— Não faça eu me arrepender! Quando sair não olhe para trás. — Ele me olhou por um longo tempo, como se gravasse minhas feições, antes de se virar para Vincenzo. — Você quer ser o Don? Pois então vai ser, a partir de amanhã começarei a te treinar e não quero ouvir reclamações ou argumentações, vai fazer tudo o que eu mandar sem hesitar! — Vince fez menção de abrir a boca, mas a arma ainda em seu rosto o calou. — Se eu te mandar matar o presidente, você pergunta qual, se mandar você casar com uma m*****a russa você pergunta quando. Não me desafie ou teste minha paciência, terá que mostrar aos seus homens que sabe ser subordinado.

Ele apenas acenou com a cabeça, concordando em silêncio, antes que nosso pai nos agarrasse pela nuca e nos puxasse para perto, em um abraço esquisito, como não fazíamos há anos e que eu sabia significar adeus.

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