Mundo de ficçãoIniciar sessãoSó de ouvir falar naquele desgraçado minha mente entrou em pane, não sabia o que fazer ou pensar primeiro. Em um instante tudo parecia perfeito, nada urgente para me preocupar, eu estava apenas concentrada em ter um bom momento com minha filha.
Depois do tormento dos últimos meses, especialmente depois de passar uma semana internada, eu finalmente podia respirar em paz. Mas é claro que não duraria, Nathan tinha que surgir das trevas e acabar com tudo.
Parte de mim detestou ainda mais saber que Cris quebrou sua promessa. Depois da nossa discussão no primeiro dia, eu deixei claro que não poderia confiar cegamente e ele deveria me consultar antes de tomar qualquer decisão sobre a minha vida.
— Entregue ele a polícia, quero vê-lo preso e destruído! — Peguei Angel no colo, pronta para colocar um fim naquilo. — Depois disso você está livre para ir, pode sair da minha casa hoje mesmo!
Entrei em casa pisando duro e sentindo a confusão dentro de mim aumentar. Foi estupidez acreditar que ele faria o que eu pedi, que cumpriria o que me prometeu. Eu já deveria ter aprendido que as pessoas não cumprem com a palavra, especialmente homens, mas continuava me deixando levar e acreditando nos idiotas.
Ao menos agora eu me livraria dos dois ao mesmo tempo, Nathan poderia apodrecer na cadeia e Cris voltar para a droga de vida dele bem longe de mim!
Suspirei olhando para Angel no meu colo, os olhos castanhos brilhando enquanto ela mordia os dedinhos. Só em pensar nela sendo criada com aquele doador de esperma infeliz, meu corpo estremecia e um gosto ruim preenchia minha boca.
Ela era tão pequena e inocente, metida no meio dessa loucura e tudo por dinheiro.
— Não vou deixar que ele chegue até você. — Beijei os cabelos dela arrancando um murmúrio. — Ao menos a mamãe sabe cumprir suas promessas!
Liguei para o meu advogado querendo deixá-lo a par de tudo o que estava acontecendo, essa era nossa oportunidade de ter os papéis do divórcio assinados e eu não iria perdê-la, queria me livrar daquele erro o mais rápido possível.
O maior erro da minha vida, a única coisa boa que Nathan me trouxe foi Angel. Me envolver com alguém que julguei ser honesto, bom, gentil e amoroso, havia sido pura enganação.
Mas eu levei muito tempo para perceber isso, afinal ele tinha sido um dos sócios a se manter ao meu lado e a me apoiar a todo momento, me fazendo acreditar em um homem que não existia.
O pior era saber que se não fossem as traições eu provavelmente manteria aquele relacionamento apenas pelo bem de Angel, mesmo que já não houvesse nenhum sentimento entre nós dois. Não queria que minha filha crescesse sem um pai, já bastava a falta de família, ela não teria avós, tios ou primos, seria criada como eu fui e isso era o que eu mais temia.
— Senhora Bianchi, podemos conversar? — A voz de Cris soou junto a uma batida na porta.
Ao menos não era Emily mais uma vez vindo checar se eu queria comer, toda aquela merda tinha acabado com meu apetite.
— Resolva o que tem para resolver e vá embora, Miller, nós não temos nada para conversar! — Eu tentei soar firme, mas minhas palavras não foram convincentes nem mesmo para os meus ouvidos.
Eu passei o resto da manhã e o começo da tarde pensando nele, nas coisas que fiz essa semana, mudando minha vida em casa e na empresa apenas porque confiei nas palavras dele.
— Só abra a porta e me deixe falar, não precisa dizer nada se não quiser, só preciso fazer isso olhando nos seus olhos — ele insistiu me tentando, mas eu não sabia como reagiria ao encará-lo mais uma vez. — Abra a porta, Elizabeth!
Ouvir meu primeiro nome em seus lábios me chocou e fez meu sangue ferver ao mesmo tempo. Eu não esperava que soasse tão bem, ainda mais quando ele estava me dando uma ordem, ninguém me dava ordens desde a morte do meu pai.
Me levantei e atravessei o quarto com rapidez, só para dar de cara com ele prestes a bater novamente quando abri a porta.
— Que fique claro que só abri para que não acordasse Angel, você não manda em mim, Miller! — soltei antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e me controlei, apertando minha cintura ou apontaria um dedo na cara do idiota
— Acredito que ninguém é capaz de mandar em você, talvez a pequena mande um pouco, mas ninguém além dela. — Um sorriso pequeno surgiu nos lábios dele e eu teria concordado se não estivesse sendo consumida por raiva.
O olhar continuava o mesmo, brilhante e divertido, como se nada do que fez hoje fosse capaz de mudar seu humor. E como eu queria, ao menos um pouco, arrancar aquilo dele e ver como sua áurea perfeita e colorida ficaria.
Meu medo era que ele ficasse ainda mais sexy com um ar sombrio... Deus o que eu estava pensando?
— O que quer aqui? — Minha voz saiu mais alterada do que eu previa, ecoando no corredor grande e atraindo nossos olhares para o quarto de Angel, esperando por qualquer barulho.
Mas não veio nada e antes que eu pudesse assimilar o que ele fazia, Cris colocou a mão em minha barriga e me empurrou para dentro do quarto.
— Você disse que não queria acordá-la então vamos conversar aqui. — Nossos olhares se encontraram e mesmo que minha expressão fosse mortal isso não pareceu afetá-lo. — Eu errei em não consultar você, eu sei que tem sido muita coisa para lidar, você foi envenenada pelo homem que amava dentro da própria casa, ficou entre a vida e a morte naquele hospital, e depois passou a temer o que seria da sua filha se o pior acontecesse com você.
— E por isso preferiu esconder de mim o que estava fazendo?
— Naquela manhã no seu escritório você me disse que não conseguia dormir em paz na sua própria casa, e nessas semanas eu pude ver você relaxar, tomar um ar e voltar a caminhar no jardim com sua filha, você voltou a aproveitar a segurança do seu lar. — ele falou mais uma vez a verdade. — A última coisa que eu queria era atormentar essa paz com mais merda sobre aquele verme. Você merece ter sua vida completa de volta, e como disse antes eu quero que meus clientes não precisem se preocupar com besteiras.
Soltei uma risada forçada e caminhei pelo quarto, não conseguindo mais ficar ali parada o encarando enquanto ele tentava explicar suas ações.
Sim, Cris estava certo sobre o que a minha vida havia se tornado desde que anunciei que queria o divórcio. E talvez sim, ele provavelmente estava coberto de boas intenções quando tomou aquela decisão, mas sua atitude poderia ter terríveis consequências.
— Isso não é besteira, Miller. Sabe por que eu disse que se quisesse um perseguidor ou investigador particular na cola dele eu já o teria feito? Porque Nathan ameaçou a mim e a Angel, ele jurou que sua família viria atrás de retaliação por qualquer coisa que acontecesse com ele.
— O quê…?







