Capítulo 8

CRIS MILLER

Eu estava ainda olhando o céu azul, com poucas nuvens, tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. Porra, Elizabeth gemeu em cima de mim e esfregou aquela boceta molhada contra meu abdômen quando toquei o interior de suas coxas! O que eu deveria pensar sobre aquilo?

Sabia que ela estava prestes a me beijar quando a babá gritou por ela, e a verdade é que eu não iria impedi-la de nada, a mulher me tinha à sua mercê para usar como quisesse. Ela me fez querer isso, me fez desejar seus beijos e gemidos ainda mais, só para arrancar de mim no segundo seguinte.

— Parece que alguém conseguiu mesmo dobrar a rainha de gelo. — A voz de Adam soou no ponto em meu ouvido, me fazendo fechar os olhos e soltar uma torrente de palavrões em italiano.

— O que foi aquilo mesmo? Foi um gemido? — outro idiota falou e eu desisti de continuar ali no chão e me levantei.

— É, definitivamente ela quer te usar como o novo vibrador dela. Talvez se você ficar paradinho e deixá-la fazer o que quiser, pode ser mais fácil.

Bufei e os dois idiotas se calaram na hora, colocando um ponto final naquela conversa de merda, que só estava me irritando ainda mais e me lembrando a quanto tempo eu estava sem transar.

— Já disse e vou repetir, ela é nossa chefe e devem respeitá-la como... Que porra é essa que acabaram de me enviar? — questionei conferindo as imagens no meu celular, antes de ligar para Bob.

Eu tinha colocado ele como responsável em caçar o marido desaparecido de Elizabeth, se nem a polícia o estava encontrando Bob era a pessoa certa para achar o infeliz. E meu melhor hacker não decepcionou, as imagens de uma câmera de segurança da cidade mostravam onde ele estava se escondendo.

— Me diz que não é um engano — foi a primeira coisa que eu disse assim que ele atendeu.

— Não, não é! O sistema de reconhecimento estava rodando a cara dele pelo país todo, mas quem diria que o filho da puta estaria ainda na mesma cidade, em um bairro não muito longe de onde vocês estão — ele garantiu me deixando ouvir o som das teclas ao fundo.

O sangue em minhas veias pareceu queimar e se mover em uma velocidade absurda, apenas com a ideia de poder colocar as mãos naquele homem, se é que ele merecia ser chamado assim depois do que fez com Elizabeth.

Pensamentos sanguinários com cenários sombrios se apossaram da minha mente. Eu podia até odiar o que a máfia fazia, mas sabia bem que desgraçados como aquele, que batiam em mulheres e se aproveitavam das suas fraquezas, mereciam uma morte lenta e dolorosa.

E só de lembrar do relatório médico dela eu sentia o homem que fui criado para ser vir à tona, o homem que meu pai teria orgulho, que não tem medo de sujar as mãos para fazer justiça!

— Está de olho nele? Mantenha todas as câmeras lá até que nossos homens cheguem, não deixe que esse merda fuja — falei sem nem ao menos lhe dar a chance de responder. — Vou enviar Isaac e mais homens até lá.

— Pode deixar, chefinho, não vou perdê-lo de vista.

Bob encerrou a ligação e eu enviei uma rápida mensagem para que Isaac fosse até o esconderijo do verme. Agora viria a parte difícil, contar a Elizabeth! Dei uma rápida olhada na casa a avistando sentada na varanda, fazendo um aviãozinho com a colher em direção a filha.

Eu queria poder saber como ela iria reagir a essa notícia antes de soltar a bomba, mas preferi ir tomar um banho primeiro, já havia estragado o café dela uma vez hoje, isso podia esperar mais um pouco e até lá Isaac provavelmente já teria as mãos no infeliz.

Tomei um banho rápido e me troquei no quarto de hóspedes ao lado do quarto de Elizabeth, que foi onde ela havia me colocado, alegando que eu precisava estar o mais perto possível dela.

Meus pensamentos voaram para os olhos sérios dela, me encarando enquanto dizia que eu precisava estar por perto caso algo acontecesse. Eu só desejei poder arrancar um sorriso dela, fazer algo que aliviasse toda a tensão daqueles ombros, pensei por um minuto até mesmo em fazer uma piada afirmando que se dormisse no mesmo quarto estaria ainda mais perto, mas com toda a reação dela a minha chegada em sua casa eu preferi me manter calado.

Agora mais uma vez eu estava indo entregar uma notícia que ela não esperava, mesmo depois de ter prometido que lhe consultaria antes de tomar qualquer decisão.

Ela já havia acabado de dar comida a Angel quando cheguei à varanda e seu olhar rapidamente se voltou para mim enquanto Zoe falava.

— Não, obrigado, Zoe, eu já comi mais cedo — respondi no automático a mulher loira, que vinha me ajudando a entender melhor a chefe que compartilhávamos.

Eu estava totalmente concentrado nas atualizações que Isaac estava enviando ao meu celular, queria logo ter a certeza que o tínhamos em nossas mãos antes de dar a notícia a ela.

Andei em sua direção em passos lentos querendo que o tempo passasse mais rápido. A verdade é que eu sabia que ela o odiava, tinha visto isso no dia em que cheguei e ela me atacou achando que eu era o bastardo, mas isso não me dizia como seria sua reação ao saber que agi sem consultá-la e coloquei homens atrás dele.

— Você sabe que não precisa ficar me vigiando enquanto tomo café, não sabe?

— Sim, eu sei — murmurei baixo encarando a tela quando uma nova mensagem chegou.

Era ele! Capturaram o desgraçado que tentou matá-la para ficar com a filha e a fortuna. Pela foto que preenchia meu celular os homens não se seguraram e já haviam distribuído alguns socos na cara do verme, que agora sangrava.

— Se precisar ir a algum lugar pode ir, seus homens estão de guarda, o sistema de defesa da casa está ligado e eu não pretendo sair hoje. — Eu a encarei, arrependido de não ter ido eu mesmo pegá-lo. — O que aconteceu? Não precisa fazer rodeios comigo, Miller, só diga de uma vez e não ouse mentir para mim!

— Nós encontramos seu marido! — falei de uma vez depois de soltar um longo suspiro. Não tinha motivos para ficar dando voltas e prolongando aquilo.

— O que... — Os olhos dela se perderam e os lábios se moveram como se ela não soubesse o que falar, até mesmo o garfo em sua mão caiu na mesa com o leve tremor que passou por seu corpo.

Aquilo era medo, estava claro como o dia que ela tinha pavor dele e a mera menção ao filho da puta a fazia estremecer. Eu queria arrancar as bolas dele por isso, queria colocar minhas mãos nele e fazer o que a máfia fazia de melhor para punir merdas como ele!

— Minha equipe acabou de encontrar seu marido e agora preciso que você decida o que quer fazer com ele! O que deseja que façamos com ele? — Cheguei mais perto, me curvando à espera de uma resposta.

Senti a necessidade de deixar que ela escolhesse o fim dele, mesmo que não fosse necessário, mas eu sabia que Elizabeth nunca teria paz se não tivesse conhecimento de onde ele estava, também me recusava a mentir para ela, fingindo que não havia sido eu a tirá-lo desse mundo.

— O que você fez? — A voz dela voltou a soar firme. — Agiu pelas minhas costas indo atrás dele? Não te pago para isso, Miller. Se eu quisesse um investigador ou perseguidor atrás daquele maldito já o teria feito.

Elizabeth se levantou da mesa respirando fundo, a testa franzida com raiva, assim como os lábios apertados. Aquela não era a reação que eu imaginava, mas era de se esperar já que ela detestava ser pega de surpresa.

— A polícia não estava se mexendo rápido o suficiente, então eu dei um jeito nisso, não podia deixar aquele animal a solta — falei a verdade, tentando manter o tom calmo, já bastava ela nervosa com a situação. — Não disse nada antes porque não havia garantias que daria certo, até agora pouco quando o encontraram.

Ela se afastou de mim indo para o parapeito, observando a paisagem à sua frente. E tudo o que eu pude fazer foi ficar ali parado torcendo para que ela não estivesse chorando por aquele verme.

Zoe me encarou em silêncio mordendo o lábio de forma nervosa. A mulher tão falante de repente estava quieta parecendo tão incerta do que fazer quanto eu.

— Entregue ele a polícia, quero vê-lo preso e destruído! — Elizabeth afirmou depois do que pareceu uma eternidade e então se virou indo em direção a Angel. — Depois disso você está livre para ir, pode sair da minha casa hoje mesmo!

Antes que eu tivesse a chance de abrir a boca e questioná-la, a mulher entrou em casa, andando a passos apressados com a filha, ignorando tudo o que havia para resolver.

Eu fiquei ali paralisado, esperava que ela fosse gritar, xingar e até me lembrar onde era o meu lugar como havia feito antes, mas me mandar embora? De onde tinha vindo isso?

— Não deveria ter testado a confiança dela em você — Zoe sussurrou dando de ombros antes de seguir o mesmo caminho que a chefe tinha feito, me deixando ali plantado e sozinho, com mil pensamentos correndo em minha cabeça.

— Que porra foi que eu fiz?

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