Capítulo 4

Diego

Minha mãe me ensinou desde cedo: jamais erga a mão para uma mulher. Se fizer isso, perde a mão. E antes, perde todos os dedos, um por um, bem devagar.

Mesmo levando aquele tapa ardido no rosto, eu me controlei.

Mas me vinguei do meu jeito.

Talvez meu maior defeito seja ser vingativo. Nasci assim. Quando eu tinha seis anos, mamãe Olivia sentou comigo e contou toda a verdade, eu não tinha o sangue dela. Minha mãe biológica foi morta por ser traidora. Poucos sabem que tio Benno é irmão dela e que a verdadeira herdeira da máfia colombiana é minha tia. Esse segredo fica guardado a sete chaves.

_ Não precisava ter machucado a menina. _ Resmungou Emanuel.

Meu irmão é risonho como nossa mãe, mas tão perigoso quanto. Eu sou a cópia do meu pai, sou quieto, sério, implacável. Markus me criou. Ele é meu pai de verdade. Olivia sempre será minha mãe.

_ Ela mereceu. Não devia ter fugido.

_ Você sabe que a ideia partiu da branquinha, né? Deixa de ser besta.

_ Você deveria controlá-la.

_ Ainda não sou marido dela.

Emanuel deu de ombros, como se fosse simples.

_ Vou acorrentar Leana ao pé da cama quando casar. Aquela lá é maluca e raivosa.

_ É, você se fodeu! _ Debochei.

_ Pelo menos ela não é chorona. A sua parece uma manteiga derretida. _ Rebateu meu irmão.

Eu detesto mulheres choronas. Mamãe sempre foi dura conosco, mas papai e tio Benno nos davam jeitinho de escapar.

_ Ela vai aprender a ser forte. _ Respondi, virando para o lado.

_ Vai nada. Ela é uma princesa. Tem que tratá-la como tal.

_ Princesa que foge de casa, espia homem tomando banho e dá tapa na cara? Essa é diferente.

Emanuel riu. Eu não via graça nenhuma.

Não sinto atração por Laena. Não entendo por que nossas mães fizeram esse acordo. Ela é delicada demais. Frágil. Chorona. Eu preciso de alguém que aguente o peso da nossa vida.

(...)

_ Mamãe mandou mensagem. Logo chega aqui. _ Avisou Emanuel.

Nossa mãe é um mistério. Some, reaparece, nunca explica. Papai finge que sabe, mas desconfio que nem ele tem todas as respostas.

Descemos para o café da manhã. Tia Alba nos recebeu com um sorriso caloroso.

_ Bom dia, meninos. Dormiram bem?

_ Perfeitamente, tia. Estávamos com saudade. _ Respondeu Emanuel, todo charme.

Leana e Laena já estavam na mesa. Uma me olhava com raiva. A outra... com os olhos vermelhos e envergonhados.

Notei as mãos dela enfaixadas.

Tia Alba franziu a testa.

_ O que houve com sua mão, filha?

_ Eu... me esborrachei no chão _ Murmurou Laena.

A tia saiu para pegar o kit de primeiros socorros. Leana aproveitou o momento e jogou um pedaço de presunto na minha cara.

_ Você é um merda! _ Rosnou ela.

Apenas sorri, limpando o rosto.

_ Infantil.

_ E você um babaca insensível!

Um tempo depois, tia Alba pediu algo para Emanuel e Leana, e os dois saíram deixando-me sozinho com a chorona.

Ela me encarou, os olhos marejados.

_ Foi meu primeiro beijo... sabia?

Fiquei em silêncio.

_ E daí?

Ela mordeu o lábio ferido e desviou o olhar. Uma lágrima solitária escorreu.

Senti algo incômodo no peito. Raiva? Culpa? Não soube identificar.

Levantei da mesa antes que ela começasse a chorar de novo.

Preciso me acostumar. Em breve ela será minha esposa. E eu não tenho a menor ideia de como lidar com uma princesa que chora por tudo... e que, mesmo assim, teve coragem de me dar um tapa.

Isso ainda vai dar problema.

E o pior é que uma parte de mim... quase quer ver até onde ela aguenta.

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