Capítulo 3

Laena (Lalá)

Ele apertava meu pescoço com força.

Se fosse Leana aqui, ela já teria enfiado o joelho onde dói mais. Mas eu sou eu diferente, e tudo que eu posso oferecer são olhos esbugalhados, coração disparado e pernas moles.

_ Que porra você tá fazendo aqui? _ Rosnou Diego entre os dentes, o rosto tão perto que senti o calor da sua raiva.

Tentei responder, mas o ar não chegava. Ele me soltou de repente. Antes que eu caísse, sua mão grande segurou minha cintura. O cheiro dele, de sabonete, pele quente e algo perigoso invadiu meus sentidos.

_ Responde, porra!

_ Eu... eu...

Bem nessa hora, Emanuel saiu do banheiro só com uma toalha na cintura, secando o cabelo.

_ Ué, o que ela tá fazendo aqui? _ Perguntou, com um sorriso safado.

_ Ela estava espiando você _ Respondeu Diego, cara fechada.

_ Capaz, sério? Nem percebi.

_ Percebeu sim, e aposto que adorou.

Queria sumir. Queria que o chão se abrisse e me engolisse.

_ Eu... eu não vi nada. _ Gaguejei.

Diego abriu um sorriso que não tinha nada de amigável. Emanuel riu descaradamente.

_ Só hoje vocês duas aprontaram pra caralho. Eu deveria entregar vocês pro Dmitri.

_ N-não, Diego, por favor! O papai vai ficar furioso...

_ Então parem de fazer merda! Agora vaza daqui antes que eu te ensine uma lição.

Corri para a porta, mortificada. Mas quando segurei a maçaneta, ouvi passos no corredor. Diego me puxou de volta com força, tapou minha boca e me arrastou para dentro do banheiro.

_ O que vocês fazem aqui? _ Perguntou meu irmão, entrando no quarto.

_ Porra, você entra assim no quarto dos outros? E se eu estivesse pelado? _ Rebateu Emanuel.

Diego me empurrou para dentro do box e ligou o chuveiro. A água quente começou a cair. Ele tirou a toalha sem cerimônia e entrou debaixo do jato, de costas para mim.

Fiquei paralisada. A água molhava meu pijama, colando o tecido no corpo. Aquelas costas largas, a cintura marcada, a...

Ele virou de repente.

Meus olhos desceram antes que eu pudesse controlar.

Meu Deus...

_ Pare de olhar! _ Rosnou ele.

Fechei os olhos com força, mas a imagem já estava gravada na minha mente. Senti o corpo dele se aproximar. As mãos dele espalmadas na parede, uma de cada lado da minha cabeça. A água quente escorrendo entre nós.

Era como uma cena de livro... só que muito mais perigosa.

_ Eu não vou te beijar, Laena. Nem em sonhos. _ Sussurrou ele com a voz rouca.

A humilhação queimou meu peito. Juntei toda a coragem que eu nem sabia que tinha e dei um tapa forte no rosto dele.

O barulho ecoou no banheiro.

Diego mordeu o lábio, os olhos em brasa. Por um segundo achei que ele fosse revidar. Em vez disso, segurou meu queixo, inclinou meu rosto... e me beijou.

Não foi romântico. Foi bruto, possessivo, quase punitivo. Ele mordeu meu lábio inferior com força suficiente para doer. Senti o gosto metálico de sangue.

Quando ele se afastou, uma lágrima escorreu pelo meu rosto.

A porta do quarto bateu. Emanuel entrou no banheiro e parou, sério.

_ Caralho, teu irmão é chato pra cacete! _ Disse ele, mas ao me ver, o tom mudou. _ O que aconteceu?

Diego deu as costas, ignorando tudo. Emanuel me puxou para fora do box, me abraçou e me levou até a porta.

_ Desculpa pelo meu irmão. Ele é meio... temperamental. Acho que é porque é adotado.

Apenas balancei a cabeça e corri para o nosso quarto.

Leana estava sentada na cama, descabelada e sonolenta.

_ Hum... onde você estava?

Contei tudo. A espiadinha, a visão, o tapa, o beijo e principalmente o corte no lábio.

Quando terminei, ela já estava de pé com um chinelo na mão.

_ Eu vou dar uma chinelada na cara dele!

_ Não, mana... deixa quieto. Foi meu primeiro beijo... e foi assim.

Deitei na cama, tocando o corte inchado no lábio. Doía. Mas o que mais doía era o jeito como Diego me olhou depois. Como se eu fosse uma criança irritante. Como se eu não significasse nada.

Fechei os olhos, mas o sono não veio.

Amanhã é nosso aniversário. E tudo o que eu conseguia pensar era no gosto de sangue e na promessa silenciosa nos olhos dele.

Isso ainda não acabou.

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