Mundo de ficçãoIniciar sessãoLaena (Lalá)
Ele apertava meu pescoço com força.
Se fosse Leana aqui, ela já teria enfiado o joelho onde dói mais. Mas eu sou eu diferente, e tudo que eu posso oferecer são olhos esbugalhados, coração disparado e pernas moles.
_ Que porra você tá fazendo aqui? _ Rosnou Diego entre os dentes, o rosto tão perto que senti o calor da sua raiva.
Tentei responder, mas o ar não chegava. Ele me soltou de repente. Antes que eu caísse, sua mão grande segurou minha cintura. O cheiro dele, de sabonete, pele quente e algo perigoso invadiu meus sentidos.
_ Responde, porra!
_ Eu... eu...
Bem nessa hora, Emanuel saiu do banheiro só com uma toalha na cintura, secando o cabelo.
_ Ué, o que ela tá fazendo aqui? _ Perguntou, com um sorriso safado.
_ Ela estava espiando você _ Respondeu Diego, cara fechada.
_ Capaz, sério? Nem percebi.
_ Percebeu sim, e aposto que adorou.
Queria sumir. Queria que o chão se abrisse e me engolisse.
_ Eu... eu não vi nada. _ Gaguejei.
Diego abriu um sorriso que não tinha nada de amigável. Emanuel riu descaradamente.
_ Só hoje vocês duas aprontaram pra caralho. Eu deveria entregar vocês pro Dmitri.
_ N-não, Diego, por favor! O papai vai ficar furioso...
_ Então parem de fazer merda! Agora vaza daqui antes que eu te ensine uma lição.
Corri para a porta, mortificada. Mas quando segurei a maçaneta, ouvi passos no corredor. Diego me puxou de volta com força, tapou minha boca e me arrastou para dentro do banheiro.
_ O que vocês fazem aqui? _ Perguntou meu irmão, entrando no quarto.
_ Porra, você entra assim no quarto dos outros? E se eu estivesse pelado? _ Rebateu Emanuel.
Diego me empurrou para dentro do box e ligou o chuveiro. A água quente começou a cair. Ele tirou a toalha sem cerimônia e entrou debaixo do jato, de costas para mim.
Fiquei paralisada. A água molhava meu pijama, colando o tecido no corpo. Aquelas costas largas, a cintura marcada, a...
Ele virou de repente.
Meus olhos desceram antes que eu pudesse controlar.
Meu Deus...
_ Pare de olhar! _ Rosnou ele.
Fechei os olhos com força, mas a imagem já estava gravada na minha mente. Senti o corpo dele se aproximar. As mãos dele espalmadas na parede, uma de cada lado da minha cabeça. A água quente escorrendo entre nós.
Era como uma cena de livro... só que muito mais perigosa.
_ Eu não vou te beijar, Laena. Nem em sonhos. _ Sussurrou ele com a voz rouca.
A humilhação queimou meu peito. Juntei toda a coragem que eu nem sabia que tinha e dei um tapa forte no rosto dele.
O barulho ecoou no banheiro.
Diego mordeu o lábio, os olhos em brasa. Por um segundo achei que ele fosse revidar. Em vez disso, segurou meu queixo, inclinou meu rosto... e me beijou.
Não foi romântico. Foi bruto, possessivo, quase punitivo. Ele mordeu meu lábio inferior com força suficiente para doer. Senti o gosto metálico de sangue.
Quando ele se afastou, uma lágrima escorreu pelo meu rosto.
A porta do quarto bateu. Emanuel entrou no banheiro e parou, sério.
_ Caralho, teu irmão é chato pra cacete! _ Disse ele, mas ao me ver, o tom mudou. _ O que aconteceu?
Diego deu as costas, ignorando tudo. Emanuel me puxou para fora do box, me abraçou e me levou até a porta.
_ Desculpa pelo meu irmão. Ele é meio... temperamental. Acho que é porque é adotado.
Apenas balancei a cabeça e corri para o nosso quarto.
Leana estava sentada na cama, descabelada e sonolenta.
_ Hum... onde você estava?
Contei tudo. A espiadinha, a visão, o tapa, o beijo e principalmente o corte no lábio.
Quando terminei, ela já estava de pé com um chinelo na mão.
_ Eu vou dar uma chinelada na cara dele!
_ Não, mana... deixa quieto. Foi meu primeiro beijo... e foi assim.
Deitei na cama, tocando o corte inchado no lábio. Doía. Mas o que mais doía era o jeito como Diego me olhou depois. Como se eu fosse uma criança irritante. Como se eu não significasse nada.
Fechei os olhos, mas o sono não veio.
Amanhã é nosso aniversário. E tudo o que eu conseguia pensar era no gosto de sangue e na promessa silenciosa nos olhos dele.
Isso ainda não acabou.







