Como nos Livros

Não! Isso era tudo que eu queria gritar, mas eu apenas assenti com a cabeça e ele colocou aquele anel de diamantes enorme e pesado no meu dedo. Ele se levantou e era nítida a alegria nos olhos dele. Erguendo-se, ele se aproximou e deu um beijo casto nos meus lábios, que me fez travar o maxilar sem perceber. Até mesmo meu corpo parecia recusar a presença dele, e se eu estava sentindo isso com um beijo, não queria nem imaginar o horror que seria quando eu tivesse que deixá-lo me tocar. Ele sorriu e distribuiu vários beijos pelo meu rosto enquanto acariciava o mesmo.

Após algum tempo, ele me puxou para um abraço e de uma forma estranha, aquilo me parecia familiar. O perfume dele era suave, e eu agradeci mentalmente, pois perfumes muito fortes sempre me incomodaram um pouco. Ele me puxou para dançar com ele sob a luz da lua, enquanto o violinista parecia saber todas as músicas que eu gostava. Eu deixei ele me guiar pela noite afora e aproveitei que meu rosto estava no ombro dele para soltar uma lágrima, que logo enxuguei. 

"Você gostou da surpresa?" Ele perguntou, com um brilho nos olhos. Eu disse sem pensar: 

"Minha cor favorita é verde." Respondi, e ele pareceu um pouco decepcionado, mas logo se recompôs. 

"Desculpa, às vezes eu esqueço que você não é mais uma menina e que provavelmente muitos dos seus gostos mudaram." Ele pegou meu rosto em suas mãos e olhou dentro dos meus olhos. 

"Mas eu prometo que vou aprender todos os seus gostos e fazer de tudo para te fazer feliz... Se você quiser podemos ir à joalheria amanhã e escolher outro anel." Ele sugeriu com sinceridade. 

Eu neguei com a cabeça e fingi um sorriso. 

"Não! Tudo bem. Esse aqui é lindo! Eu adorei!" Disse, mesmo sabendo que mentia.

Eu nunca tinha dito tantas mentiras de uma vez só. Eu não gostava de nada muito chamativo, de que adiantava um anel com uma pedra enorme se eu não amava a pessoa que colocou ele no meu dedo? Ele pareceu ficar feliz com a minha resposta e depois de algum tempo voltamos para a festa encontrando nossos pais apreensivos. Ao nos aproximarmos, eles buscavam na nossa expressão alguma pista do que tinha acontecido, e logo Jayden levantou minha mão com a aliança, mostrando para todos. 

"Estamos noivos!" Ele anunciou com um sorriso radiante.

Nossos pais sorriram e um por um nos cumprimentaram como se aquilo fosse motivo de alegria. Nós brindamos e quanto mais a noite passava, mais próximo de mim Jayden ficava. Ele segurava minha mão, depois passava um braço ao redor da minha cintura e às vezes me pegava de surpresa com um beijo no meu ombro. Era estranho, pois apesar de ele estar sendo extremamente carinhoso comigo, eu não sentia nada, nem euforia, nem incômodo. O toque dele era familiar e, de alguma forma estranha, parecia que meu corpo estava acostumado. Mas como isso era possível se só nos conhecemos oficialmente hoje?

A noite foi longa e eu só queria que acabasse logo. Quando meu desejo finalmente se realizou, ele nos levou até a nossa Limousine e novamente deixou um beijo nos meus lábios. Eu apenas permiti e ele acariciou meu rosto, se despedindo de mim. Eu entrei na Limousine e minha mãe só sabia falar do quanto a festa estava linda, o quanto todos estavam morrendo de inveja e do quanto eu era sortuda, pois Jayden era o homem mais lindo da festa. 

Eu apenas ouvia tudo, me sentindo cada vez mais infeliz. Assim que cheguei em casa, fui até o meu quarto, tirando toda aquela roupa que me aprisionava e me afundando na banheira, mergulhando completamente a minha cabeça. Desejava que eu conseguisse ficar ali até que todo o meu ar fosse embora. Fiquei na banheira até minha pele começar a enrugar e depois saí de lá, indo direto para a cama. Mas quem disse que eu consegui dormir naquela noite? Tudo que eu pensava era no fato que em poucos dias eu estaria casada e não havia nada que eu pudesse fazer para impedir isso. Nos dois dias que seguiram, Jayden e os pais dele nos visitaram. Eles pareciam cada vez mais felizes com essa união e eu cada vez mais desesperada. 

No dia em que tive que dar adeus a tudo que eu conheço e embarcar em um vôo de quinze horas para a Coréia, eu só sabia chorar. Nós estávamos em cabines que mais pareciam camas do que cadeiras, e Jayden estava ao meu lado. Apesar de eu ter tentado não chorar na frente dele, não consegui evitar as lágrimas que caíam enquanto eu via a cidade onde eu nasci ficar cada vez mais distante.

Ele entrelaçou nossos dedos e me puxou suavemente para encostar a cabeça no seu peito. Eu fiquei deitada ali enquanto ele fazia carinho no meu cabelo e acho que isso só piorou tudo, pois minhas lágrimas se tornaram mais frequentes. Ele não falava nada, mas eu percebia que ele estava apreensivo, então senti que precisava falar alguma coisa. 

"Desculpa... Eu... É que eu nasci aqui e..." tentei justificar, mas fui interrompida.

"Tá tudo bem... Pode chorar, eu sei que toda essa mudança deve estar sendo difícil pra você, mas eu prometo que você vai amar Seul. É uma cidade linda e eu prometo te levar para conhecer tudo. Eu comprei uma casa enorme e linda onde eu tenho certeza de que seremos muito felizes." Ele tentou me acalmar. Ele não parava de falar e, apesar de eu saber que a intenção dele era boa, nada daquilo parecia aliviar a dor que eu estava sentindo. 

"Eu sei que vai ficar tudo bem, porque estamos juntos e temos um ao outro." Ele continuou me fazendo carinho, e depois que ele parou de falar, eu apenas me concentrei na respiração dele e acabei relaxando.

Com o tempo, eu percebi que o carinho dele estava ficando cada vez mais lento e que às vezes ele parava. Então, me permiti olhar para ele e vi que ele tinha adormecido. Eu não podia negar, ele era realmente lindo e o abraço dele era muito bom, mas ainda assim eu não sentia nada. Tudo aquilo que eu sempre li em livros de romances como frio na barriga, borboletas, coração acelerado…Nada daquilo acontecia quando ele estava por perto e às vezes eu desejava desesperadamente que um milagre acontecesse e eu me apaixonasse por ele como a minha mãe se apaixonou pelo meu pai, mas eu sabia que isso não aconteceria.

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