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Capítulo 3: A Noite da Vitória

O dia seguinte pareceu durar uma eternidade para Elena. Ela passou as horas caminhando de um lado para o outro dentro de casa, pensando em tudo o que Dante tinha dito, revivendo cada palavra, cada toque, cada olhar dele. Parte dela ainda achava que aquilo era um erro, que ela estava se metendo numa confusão da qual talvez nunca mais saísse. Mas outra parte, uma parte cada vez maior e mais forte, sentia-se viva novamente. Sentia-se importante, desejada, protegida de uma forma que ela nunca tinha sentido antes, nem mesmo quando era “amada” por Felipe.

Quando a tarde deu lugar à noite, e o sol desapareceu no horizonte pintando o céu de tons alaranjados e roxos, Elena foi até o seu quarto e abriu o guarda-roupa. Ela sabia exatamente o que vestir. Queria algo que falasse por si mesmo. Algo que dissesse elegância, classe, poder e beleza, sem precisar de uma única palavra. Ela escolheu um vestido longo de seda preta, de corte impecável, que deslizava suavemente pelo corpo, com mangas compridas de renda fina e um decote discreto, que valorizava o pescoço e os ombros sem ser vulgar. O tecido era macio, brilhante, e tinha um caimento perfeito, que moldava as curvas do seu corpo de forma sutil e irresistível. Era um vestido que ela tinha comprado para o noivado, mas que nunca tinha tido coragem de usar… até agora.

Ela arrumou os cabelos num coque alto e elegante, deixando alguns fios soltos caindo sobre o rosto, e usou uma maquiagem leve, mas marcante, que realçava os seus olhos castanhos, grandes e expressivos, e deixava os lábios com um tom avermelhado natural. Ao olhar-se no espelho, Elena quase não se reconheceu. A mulher que a olhava de volta não era a mesma que tinha saído correndo da festa humilhada e chorando semanas atrás. Havia um brilho diferente nos olhos, uma postura ereta, um ar de confiança que ela não sabia que possuía. Ela parecia uma rainha. E de certa forma, ao lado de Dante, era exatamente isso o que ela seria.

Quando a campainha tocou, o som ecoou pela casa toda, fazendo o coração dela disparar de emoção e nervosismo. Ela respirou fundo, endireitou a postura, abriu a porta e lá estava ele. Dante Moretti. E ele estava deslumbrante.

Ele usava um terno preto de alfaiataria, perfeitamente ajustado ao corpo, camisa branca e uma gravata escura que combinava com o vestido dela. Os cabelos negros estavam arrumados, e ele tinha um perfume forte, amadeirado, que ela já reconhecia como sendo apenas dele. Ele olhou para ela, da cabeça aos pés, demorando-se em cada detalhe, e por um segundo, Elena viu algo brilhar nos olhos escuros dele: admiração, desejo e um orgulho possessivo que a fez sentir as pernas moles.

— Perfeita — disse ele, com a voz rouca e baixa, estendendo a mão grande e forte na direção dela. — Você nasceu para estar ao meu lado, Elena. E hoje, vamos mostrar ao mundo inteiro exatamente isso.

Ela segurou a mão dele, sentindo o calor e a firmeza daquele toque que já começava a ser familiar e essencial para ela. Ele guiou-a até o carro, abriu a porta como um cavalheiro, e ao entrar, Elena sentiu que estava dando o passo mais importante da sua vida. O carro deslizou pelas ruas iluminadas da cidade, até chegar ao grande centro de convenções, onde a festa já estava acontecendo. Havia luzes por todos os lados, carros luxuosos parando na entrada, pessoas bem vestidas entrando, risadas e músicas que podiam ser ouvidas da rua.

Quando o carro preto e brilhante de Dante parou em frente à entrada, um silêncio quase palpável se espalhou por todo o lado. Todos sabiam quem era o dono daquele carro. Dante desceu primeiro, com a sua habitual calma imponente, e deu a volta para abrir a porta para Elena. Quando ele estendeu a mão e ela desceu, segurando firme na sua, com o vestido longo escorregando graciosamente, com a cabeça erguida e o olhar firme, foi como se o tempo tivesse parado.

Os olhares se voltaram todos para eles. Os cochichos começaram imediatamente, mas agora, não havia zombaria, nem pena. Havia surpresa, espanto, curiosidade e, acima de tudo, respeito e medo. Ninguém esperava ver Elena Varella ali. Muito menos ao lado de Dante Moretti. E ninguém esperava vê-la tão linda, tão diferente, tão poderosa.

Dante não soltou a mão dela nem por um segundo. Ele entrelaçou os seus dedos aos dela, apertando com força, deixando claro para todos que ela estava ali com ele, que ela pertencia a ele, que ninguém tinha o direito de chegar perto. Ele caminhava devagar, cumprimentando apenas quem ele queria, ignorando os outros como se fossem invisíveis, e levando Elena consigo como se ela fosse a coisa mais preciosa que ele tinha. Ela podia sentir a energia ao seu redor. Podia ver a inveja nos olhos das mulheres e o respeito assustado nos olhos dos homens. Podia ver a confusão e a incredulidade nos rostos daqueles que um dia riram dela.

E então, ela os viu.

Do outro lado do salão, perto da mesa de bebidas, com taças de champanhe nas mãos, rindo e conversando com um grupo de pessoas, estavam eles. Felipe e Carla.

O coração de Elena deu um salto dentro do peito. Era como se todo o ar tivesse desaparecido do ambiente por um segundo. Ela parou por um instante, sentindo um misto de raiva, dor, ansiedade e uma alegria doce e vingativa que crescia rapidamente dentro de si. Dante percebeu imediatamente a mudança nela. Ele olhou na direção que ela olhava, reconheceu os dois imediatamente, e um sorriso perigoso apareceu nos seus lábios. Ele apertou ainda mais a mão dela, inclinou-se perto do seu ouvido e sussurrou, com uma voz que só ela podia ouvir:

— Está vendo, minha querida? Eles estão lá, achando que estão no topo do mundo, achando que venceram. Mas espere só até eles verem você. Espere só até eles perceberem quem está do seu lado agora. Você quer vingança, Elena? Pois bem… agora você vai ter a melhor vingança que existe: fazê-los ver o que jogaram fora, e fazê-los saber que nunca mais poderão ter.

Ele guiou os passos dela diretamente na direção do casal traidor. A distância pareceu durar uma eternidade, mas ao mesmo tempo, passou muito rápido. À medida que se aproximavam, a conversa ao redor foi diminuindo, até que só se ouvia a música suave ao fundo. Carla foi a primeira a vê-los. Ela parou de rir de repente, os olhos se arregalaram, e a taça de champanhe tremeu na sua mão. Ela cutucou Felipe, que virou o rosto reclamando, mas que também parou no mesmo instante em que os seus olhos encontraram os de Elena.

A expressão no rosto de Felipe foi algo que Elena iria guardar para sempre na memória. Primeiro veio o choque absoluto, depois a confusão, depois a incredulidade… e finalmente, o medo. Ele olhou para Elena, vestida de seda preta, linda, elegante, segura de si, ao lado do homem mais poderoso e temido da região, e percebeu, com um baque no peito, que tinha cometido o maior erro da sua vida. Ele tinha jogado fora uma mulher incrível, por uma aventura passageira, e agora, ela não só estava bem… como estava muito acima dele, num lugar que ele jamais conseguiria alcançar.

— Dante Moretti… que… que surpresa inesperada — gaguejou Felipe, tentando disfarçar o nervosismo, estendendo a mão para cumprimentá-lo, embora parecesse ter medo de chegar muito perto. — E Elena… não sabia que… quer dizer, não esperava ver você aqui.

Dante olhou para a mão estendida como se fosse algo sujo, e não a tocou. Seus olhos escuros e frios cravaram-se inabalavelmente nos olhos de Felipe, fazendo o rapaz sentir um arrepio gelado percorrer todo o seu corpo.

— A surpresa é toda sua, não é mesmo, Felipe? — respondeu Dante, com uma calma mortal, uma voz baixa que carregava mais ameaça do que qualquer grito. — Vejo que está bem. Vejo que achou que fez um ótimo negócio ao trocar o que tinha por… isso aqui. — Ele lançou um olhar rápido e desdenhoso para Carla, que ficou vermelha de raiva e vergonha. — Mas como dizem, o tempo traz a verdade. E hoje, você está vendo exatamente o que perdeu.

Ele puxou Elena para mais perto de si, passando o braço forte pela cintura dela, num gesto que deixava claro para todos: ela pertencia a ele. Era uma marca visível, pública, definitiva.

— Elena não é mais a mulher que você conheceu. Não é mais a mulher que você achou que poderia pisar, humilhar e descartar como se fosse lixo. Hoje, ela é a minha mulher. E quando uma mulher pertence a mim, ela se torna intocável. Ela se torna o centro do mundo. E ninguém… absolutamente ninguém… tem o direito de olhar torto para ela, de falar o nome dela ou de se achar digno de estar na presença dela. Muito menos você.

Felipe engoliu em seco, sentindo o peso das palavras. Ele olhou para Elena, procurando algum sinal de fraqueza, algum sinal de que ela ainda se importava, de que ela ainda poderia ser ferida… mas não encontrou nada. Elena ergueu o queixo, olhou bem nos olhos dele, com toda a altivez e dignidade que ele tinha tirado dela, e falou com uma voz clara, firme e docemente cortante:

— Você fez a sua escolha naquela noite, Felipe. Você me humilhou na frente de todos. Você disse que eu não tinha nada a oferecer, que eu era sem graça, que não era o suficiente para você. E sabe o que é mais engraçado? Você tinha razão. Eu realmente não era o suficiente… para você. Porque eu mereço muito mais. Eu mereço respeito, mereço amor, mereço estar ao lado de um homem que saiba o valor de uma mulher de verdade. E hoje, eu tenho tudo isso. Você ficou com o que restou. E eu… eu ganhei o mundo.

Carla tentou falar alguma coisa, tentou se defender, mas Elena virou o rosto para ela com um olhar tão frio e duro quanto o de Dante, que fez a prima calar-se imediatamente.

— Não se meta comigo, Carla. Você sabe o que fez. Você sabe que traiu a própria família, traiu a confiança de quem sempre te tratou como irmã. E hoje, você está vendo que tudo o que você quis roubar de mim… tudo o que você achou que era poder e posição… ficou muito pequeno perto do que eu tenho agora. Você pode ficar com ele. Não o quero mais. Nunca mais.

Dante sorriu, um sorriso de vitória e orgulho, e ignorando completamente a presença dos dois, virou-se totalmente para Elena. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, com uma ternura que fez todos ao redor prenderem a respiração, e beijou-lhe a testa demoradamente, um gesto carinhoso, íntimo, que proclamava amor e posse para todo o salão ver.

— Você ouviu o que ela disse? — disse Dante, voltando a falar com Felipe e Carla, com um tom que já não lhes dava nenhuma importância, como se fossem apenas poeira no caminho. — Guarde bem essas palavras. E guarde também o aviso: se um dia, por um segundo que seja, você ou qualquer pessoa que vocês conheçam ousar chegar perto dela, ousar falar mal dela, ousar fazer qualquer coisa que a desagrade… vão ter que responder para mim. E eu não sou tão educado quanto ela. Eu destruo quem mexe com o que é meu. Entenderam?

Eles apenas acenaram com a cabeça, calados, derrotados, com medo estampado nos olhos. Dante virou-se, levando Elena consigo, deixando-os para trás como se não existissem mais. E enquanto caminhavam pelo salão, recebendo olhares de admiração e respeito, Elena sentiu o coração encher-se de uma alegria que ela não esperava. Ela tinha conseguido a sua vingança. Tinha limpado o seu nome. Tinha provado o seu valor. Mas acima de tudo, ela tinha percebido que o preço que pagou — entregar-se ao homem mais perigoso da cidade — talvez não fosse um preço alto demais. Talvez fosse, na verdade, o maior presente que a vida já tinha lhe dado.

— Conseguiu o que queria, minha prisioneira? — perguntou Dante, baixinho, olhando bem nos olhos dela, com um brilho de diversão e paixão.

Elena sorriu, um sorriso verdadeiro, radiante, e apertou mais a mão dele entrelaçada na sua.

— Consegui — respondeu ela, olhando para ele com tudo o que sentia começando a se revelar. — Mas acho que ganhei muito mais do que apenas vingança.

Dante aproximou o rosto do dela, a voz rouca e cheia de promessas para o resto da noite.

— Ainda não ganhou tudo, minha querida. A noite está apenas começando… e quando chegarmos em casa, eu vou te lembrar exatamente de quem você é. E de como é ser minha.

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