Marcados pelo passado

O cheiro da fogueira e terra molhada tinham o cheiro de casa.

Era isso que guiava os seus passos, mas o medo também, Mayana era boa. O coração de Antônio sabia disso.

Ela só machucava pessoas se fosse por ele.

Foi assim que Tchernov morreu, ainda lembrava da voz da mãe dizendo.

— Ouça tchavo, ele era mau. Ele te batia, precisava ser assim, mas você não vai falar, não pode contar.

Ele não falou, guardou para ele o dia em que a mãe bateu na cabeça do marido.

Mayana gritou por ajuda, ele lembrava das vozes, dos gritos e cânticos dos outros ciganos.

Tchernov não havia caído como ela falou.

Mayana o envenenou com alguma coisa no chá.

Mas era verdade, o homem que fazia a mãe dele chorar todas as noites fazendo barulhos grotescos na rede também batia nele.

Agora Antônio precisava proteger Ive.

A mãe não era má.

Mas podia ser se fosse para defender ele.

As muletas pareciam reclamar debaixo dele, curtas demais, fracas demais.

Cada passo doía mais do que o anterior.

Encostou na lona do barraco
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