Foi um grito!
Mas também foi a força de cinco anos de morte e agonia, explodindo na garganta de Muralha.
O homem feito de pedra e músculo, era uma máquina da máfia. Desenhado para matar, mas que agora soltava o som do luto e da perda tão perdido quanto uma criança.
Os passos não mediram distância.
Antônio ouviu, o som que assustou a todos, parecia ser a única coisa boa daquele dia.
Ele estava sentado, ainda assim era mais alto do que o guarda que estava em pé ao seu lado.
Uma montanha que o ácido e o fogo deformaram.
As drogas tinham levado sua mente desde os doze anos. Ele não era mais Lucca, o monstrinho de músculo que todos achavam que ele se tornaria.
Era só Antônio, assustado, retardado, cego...
Mas aquele som o fez tatear o ar. Não de medo, mas por algo diferente.
O juiz se levantou, pálido. Muralha parecia ter saído de algum tipo de filme de ação.
— Silêncio! Quem gritou será removido imediatamente! Guardas!
Muralha continuou, não enxergava nada além daquele rapaz sentado ali,