Na manhã seguinte, quando acordei, o Henrique não estava mais na cama. Ouvia sua voz baixa vindo da sacada, e presumi que ele estava no telefone. Aquele som familiar parecia algo distante, quase como se ele tentasse evitar que eu o escutasse. Caminhei até o banheiro e tomei um banho rápido, aproveitando o calor da água para tentar espantar a leveza que a noite anterior havia deixado. Me enrolei no roupão e voltei para o quarto. Henrique ainda estava ao telefone, sua voz grave e controlada eco