Mundo de ficçãoIniciar sessãoO dia na agência tinha sido produtivo, mas a cabeça de Yasmin não parava quieta. Ela não era de criar expectativas, mas havia algo na intensidade de Arthur que a deixou elétrica. Às oito da noite, ela já estava pronta. Escolheu um vestido preto justo, de gola alta e sem mangas, que marcava sua silhueta de forma impecável, e calçou saltos que a deixavam ainda mais imponente.
Decidiu ir de Uber. Arthur estaria de carro e, se a noite corresse como a anterior, ela sabia exatamente onde terminariam. Ela estava no controle da situação. Pelo menos, era o que achava.
Quando o carro parou em frente ao The Vault, Yas respirou fundo e saiu. O bar estava lotado. Ela entrou com seu habitual sorriso vibrante, mas seus olhos procuraram logo por Arthur. Encontrou-o em um sofá de couro na área VIP, rodeado por quatro caras que exalavam o cheiro de dinheiro e arrogância.
Assim que a viu, Arthur se levantou com um olhar de quem tinha acabado de ganhar um prêmio e a puxou pela cintura, selando um beijo demorado no canto da boca. O toque ainda era bom, mas Yas sentiu o clima mudar quando os amigos dele pararam de rir para encará-la com um descaramento irritante.
— Pessoal, essa é a Yas — Arthur apresentou, mantendo a mão firme no quadril dela.
Um cara loiro, de camisa entreaberta e copo de whisky na mão, deu um sorriso torto. O nome dele era Ricardo.
— Então essa é a morena que te deixou doido ontem? — Ricardo perguntou, rindo para os outros. — Entendi agora, Arthur. Com um material desse, eu também sumia do mapa. Me diz uma coisa, Yas... quanto custa pra você passar o final de semana lá no meu barco? Tenho certeza que você sabe como entreter um grupo melhor que qualquer uma que a gente conhece.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Não era uma piada de mau gosto; era uma ofensa direta, um insulto à dignidade dela. Yas sentiu o sangue subir e olhou imediatamente para Arthur, esperando que ele tivesse uma reação de homem.
Mas Arthur apenas soltou uma risadinha abafada, visivelmente sem graça, mas querendo manter a pose diante dos amigos.
— Deixa de ser escroto, Ricardo — Arthur disse entre risos, mas não soltou a cintura dela. Ele não o confrontou. Ele apenas riu junto, validando a baixaria.
Yas sentiu um nojo profundo. Ela se soltou do braço de Arthur com um puxão brusco, a expressão agora gélida.
— Eu realmente achei que você tivesse um pouco mais de caráter, Arthur — Yas disse, a voz baixa e carregada de desprezo. — Mas você é só um moleque que precisa da aprovação de outros moleques. Aproveita sua noite.
Ela deu meia-volta, pronta para sair, quando Arthur segurou o braço dela, tentando manter um tom de superioridade.
— Yas, para com isso. Os caras estão só zoando. Não tem motivo para você levar isso para o lado pessoal — ele disse, com uma indiferença que a irritou mais do que a própria ofensa.
Antes que ela pudesse esboçar qualquer resposta, um dos amigos de Arthur — um homem moreno, alto e de ombros largos que até então observava tudo em silêncio — ergueu-se bruscamente. Ignorando a presença de Yas, ele cravou o olhar em Ricardo e Arthur, com o desprezo moldando cada linha de seu rosto.
— Vocês são uns idiotas — Thiago disse, a voz firme e pausada, olhando diretamente para Ricardo. — E você, Arthur, consegue ser o pior de todos por achar isso engraçado.
Arthur tentou intervir, mas ele deu um passo à frente, peitando Ricardo com os punhos cerrados. O clima de briga se instalou instantaneamente, com os outros amigos se levantando e Arthur tentando, de forma desastrada, segura-lo.
Yasmin não esperou para ver quem daria o primeiro soco. Ela não precisava de ninguém para lutar suas batalhas e não pretendia gastar mais um segundo naquele ambiente tóxico. Deu as costas para o grupo e caminhou firme em direção à saída, os saltos estalando no chão. Ela sentia a raiva queimar no peito enquanto cruzava o bar, deixando para trás o som da discussão e o caos que se formava na área VIP. Tudo o que ela queria era ar fresco e distância daquela gente.







