Capítulo 03

A luz da manhã de quarta-feira atravessava as frestas da persiana, desenhando linhas douradas sobre a pele de Yas e os lençóis brancos e bagunçados. Yasmin despertou primeiro, sentindo o peso do braço de Arthur sobre a sua cintura. Por um segundo, ela esqueceu onde estava, mas o cheiro do perfume amadeirado — agora misturado ao cheiro de sexo e pele — trouxe todas as memórias da noite anterior de volta.

Ela virou-se devagar, observando o homem ao seu lado. Sem a pose de herdeiro ou o terno impecável, Arthur parecia mais jovem, quase vulnerável. Mas a memória da intensidade dele entre aquelas quatro paredes não tinha nada de vulnerável. Foi, sem dúvida, uma das melhores noites da vida dela.

Arthur começou a despertar, os olhos abrindo devagar e encontrando o sorriso de Yas. Ele não hesitou; puxou-a para mais perto, escondendo o rosto no pescoço dela e deixando um beijo demorado ali.

— Bom dia... — ele sussurrou, a voz rouca de sono fazendo o corpo de Yas reagir instantaneamente. — Eu esperava que você fosse incrível, mas você superou qualquer expectativa.

Yas deu uma risada baixa, passando a mão pelo cabelo dele. — Eu avisei que não gostava de entregar pouco, Arthur. Mas você também não se saiu nada mal.

A mão dele começou a subir pela coxa dela, eo  clima no quarto voltou a esquentar rapidamente. Arthur subiu sobre ela, beijando-a com uma urgência que indicava que ele estava pronto para o segundo round. Yasmin sentiu o desejo disparar, mas um olhar rápido para o relógio na mesa de cabeceira a trouxe de volta à realidade.

— Arthur... para — ela disse, embora suas mãos estivessem firmes nas costas dele. — São sete e meia. Eu tenho uma reunião de planejamento às nove na agência e você provavelmente tem uma empresa para gerir.

Arthur soltou um resmungo frustrado, enterrando o rosto no travesseiro ao lado dela. — Eu trocaria qualquer reunião por mais uma hora com você agora.

— Eu também — ela confessou, sentando-se na cama e deixando o lençol cair, sem qualquer timidez. — Mas a vida de adulto não se paga sozinha.

Ela levantou-se e caminhou em direção à casa de banho. Arthur ficou ali, sentado na cama, observando-a com um olhar que Yasmin já conhecia bem: ele estava fisgado. Não era apenas o sexo; era a energia dela, a forma como ela não parecia impressionada com nada além do prazer que eles partilharam.

Alguns minutos depois, enquanto Yas saía do banho enrolada na toalha, encontrou Arthur já de calças, encostado no batente da porta da casa de banho.

— Escuta, Yas... — ele começou, com um tom de voz mais sério, mas ainda charmoso. — Eu não sou de fazer isso, mas eu não consigo parar de pensar que a gente mal conversou. E que eu preciso de repetir a dose.

Yas terminou de passar o hidratante nas pernas, olhando para ele pelo espelho. — Você quer um repeteco, é isso?

— Eu quero um jantar. Hoje à noite — ele propôs. — Sem pressa, sem bar barulhento no início. Um restaurante que eu conheço nos Jardins. Eu quero ver se você é tão boa de conversa no jantar quanto é... bom, você sabe.

Yasmin sorriu. Ela gostava da insistência dele. Arthur era bonito, o sexo era fenomenal e ele parecia genuinamente interessado em conhecê-la fora da cama.

— Jantar soa bem — ela disse, aproximando-se dele e ajeitando o colarinho da camisa amassada que ele tinha acabado de vestir. — Mas eu vou trabalhar até tarde.

— Não tem problema. Eu passo no The Vault às nove. A gente se encontra lá, toma um drink para abrir o apetite e depois seguimos para o restaurante. O que achas?

— Combinado — ela selou o acordo com um beijo rápido, mas intenso. — Agora vai, antes que eu decida que a minha reunião pode esperar e a gente acabe perdendo o emprego.

Arthur riu, deu um último beijo nela e saiu. Quando a porta do apartamento se fechou, Yasmin soltou um suspiro profundo. Ela estava animada. Geralmente, esses encontros de uma noite terminavam em silêncio ou mensagens vagas, mas com Arthur, parecia haver um magnetismo que ela não queria ignorar.

O dia na agência passou a voar. Yas estava radiante, produtiva e com um brilho no olhar que as suas colegas de equipa não deixaram passar despercebido. Ela só conseguia pensar no jantar e em como Arthur estaria vestido. Ela sentia-se poderosa, bem resolvida e pronta para aproveitar o que a vida lhe estava a oferecer.

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