Os passos desceram a escada, com saltos altos.
Passei a mão na boca para abafar a respiração, que parecia um fole. Vi primeiro os pés, os sapatos caros, e então as pernas e o vestido justo subindo rapidamente enquanto ela descia.
Era morena, linda, com aquele ar de quem acabou de ganhar na loteria. Ela nem olhou para os lados, foi direto para a porta da frente.
A porta se abriu e fechou, e o silêncio voltou a dominar a casa, agora cem vezes mais pesado.
Fiquei ali, escondida, por mais um minuto inteiro, contando até sessenta, me certificando de que ele não tinha descido atrás dela.
Que estava tudo limpo.
Finalmente, saí do meu esconderijo, meus ossos rangendo de tensão. Respirei fundo, tentando recuperar um pouco da dignidade.
Tudo bem. Ele podia transar com quem ele quisesse.
Não era da minha conta e eu odiava ele. Isso só provava que ele era ainda mais nojento do que eu pensava.
Virei para ir para a cozinha, precisava daquela água mais do que nunca, mas acabei esbarrando diret