A lembrança do beijo, quente e voraz, e o eco dos gemidos altos que ouvi na escada, se chocaram dentro de mim.
A raiva subiu, instantânea e quente, como um jato de ácido. Meu sorriso congelou e sumiu.
Virei completamente minha atenção para Laura, ignorando-o como se ele fosse um móvel feio na garagem.
— Vamos, Laura, você tá toda cheia de energia da festa do pijama! Vamos te dar um banho rápido e botar seu uniforme, senão a Julia vai chegar na escola antes de você! — falei rápido, pegando a mochila dela e a guiando para dentro, sem olhar para trás.
Subimos as escadas, e os relatos animados da Laura foram um alívio.
Ela já tinha tomado café na casa da amiga, então era só a rotina do banho e se vestir.
Enquanto ela falava, trocando “pipoca” por “picoca” e “filme de terror” por “filme de tetor”, eu ria, tentando me ancorar naquela normalidade.
Era por ela, também. Por um futuro onde ela não teria que carregar o peso de um segredo como o meu.
Quando a deixei com o motorista e a vi pa