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capítulo 3- O jogo começa

Sofia entrou na sala de reuniões tentando respirar fundo.

Cada músculo do corpo ainda lembrava o toque inesperado de Alexandre no elevador.

Tentava focar na pasta que levava, nos documentos que precisava de entregar, na profissional que sabia ser.

Mas era impossível ignorar a presença dele.

Alexandre já estava sentado, atrás da imensa mesa de mogno, mãos cruzadas, olhar fixo nela. Havia algo em como ele a observava que a fez engolir em seco, um misto de desafio e promessa que parecia ler cada pensamento antes que ela tivesse coragem de o pensar.

— Sofia — disse ele, voz baixa, grave, enquanto a sua atenção parecia avaliá-la de forma minuciosa. — Que surpresa agradável ver alguém tão… organizada neste caos de documentos.

Ela franziu ligeiramente o cenho, tentando disfarçar o rubor que subiu às faces.

— Obrigada. Faço o meu trabalho. — A resposta saiu mais firme do que se sentia.

Ele inclinou-se ligeiramente para a frente, apoiando os cotovelos na mesa, o que fez o corpo dele parecer ainda mais próximo, mesmo através do comprimento da sala.

— Trabalho é importante — murmurou, com um sorriso que tinha mais intenção do que a própria palavra revelava. — Mas também gosto de observar quem trabalha. A forma como se concentra… e reage quando algo inesperado acontece.

Sofia engoliu em seco, consciente de cada detalhe da sua postura, da forma como ele se inclinava, do calor que parecia irradiar do corpo dele.

— Algo inesperado? — perguntou, mantendo a voz firme.

— Pequenos acidentes. Por exemplo, quando alguém tropeça no próprio equilíbrio e… permite que eu a segure. — Ele deixou a frase suspensa no ar, e os olhos dele brilharam com aquele duplo sentido que a fez tremer ligeiramente.

Ela desviou o olhar, mordendo o lábio inferior, tentando não deixar que o rubor traísse o efeito que ele tinha sobre ela. Mas Alexandre não a deixou escapar.

— Olhe para mim, Sofia — disse ele, quase num comando, e o tom não deixava espaço para desobediência. — Quero ver os seus olhos. Quero ver se consegue resistir à… distração.

Sofia ergueu o olhar e encontrou-o novamente. Um confronto silencioso que parecia prolongar o tempo e fazer o mundo lá fora desaparecer.

Cada gesto, cada pausa nas palavras, cada inclinação do corpo dele criava uma tensão elétrica que Sofia não podia ignorar. Era mais do que atração; era um jogo de poder subtil, em que ele estava claramente à frente, mas a curiosidade dela recusava ceder.

Quando ele finalmente se recostou, o olhar dele permaneceu preso nela, intenso, avaliador.

— Muito bem — murmurou ele, com um sorriso contido. — Vejo que consegue manter a compostura… por agora. Mas cuidado. Nem sempre será tão fácil.

Sofia sentiu uma mistura de alívio e frustração. O toque dele, mesmo ausente, ainda parecia prender cada parte dela que queria protestar. Cada frase, cada olhar, fazia com que o desejo se misturasse com a adrenalina, criando uma tensão quase insuportável.

Quando a reunião terminou, ela percebeu que não era apenas a parte profissional que tinha mudado naquele encontro. Era ela própria — mais consciente, mais vulnerável, mas também… mais curiosa pelo que Alexandre poderia provocar a seguir.

E enquanto ele a observava sair da sala, Sofia teve a certeza inquietante de que este jogo tinha apenas começado.

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