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Capítulo 2- demasiado perto

Sofia ainda sentia o calor do toque dele na mão quando a realidade voltou a encaixar-se à sua volta.

— Porque vai ser comigo.

As palavras de Alexandre ecoaram dentro dela como um aviso tardio.

— Desculpe… o quê? — perguntou, tentando recuperar a compostura.

O sorriso dele aprofundou-se, como se estivesse habituado a provocar reações.

— A reunião que veio ter. Sou eu o cliente.

O coração dela acelerou. Claro. Fazia sentido. Um homem como ele não estaria ali por acaso.

E ainda assim, algo naquela coincidência parecia perigoso.

— Não sabia — admitiu, ajustando a pasta nos braços.

— Imagino que não. — Ele inclinou ligeiramente a cabeça, observando-a com atenção renovada. — Mas fico satisfeito por ser uma surpresa.

O olhar dele desceu por um segundo, avaliando-a sem pressa, e Sofia sentiu um calor inesperado subir-lhe pela pele.

— Vamos? — perguntou ele, fazendo um gesto suave na direção dos elevadores.

Ela assentiu, tentando ignorar a sensação de que estava a entrar num território desconhecido.

Caminhar ao lado dele era estranho.

Alexandre não dizia nada, mas a presença dele ocupava espaço, física e emocionalmente. Era como se cada passo fosse calculado, cada movimento consciente.

Quando chegaram ao elevador, as portas abriram-se com um som suave.

Entraram.

Silêncio.

O espaço fechado parecia demasiado pequeno para conter aquela tensão.

Sofia fixou o olhar nos números luminosos que subiam lentamente, tentando controlar a respiração.

Sentia o calor dele ao lado, próximo o suficiente para que os braços quase se tocassem.

— Está nervosa — comentou ele, sem julgamento.

— Não estou.

Ele soltou uma pequena risada baixa.

— Está.

Ela virou-se para responder… e nesse movimento o elevador parou abruptamente num pequeno solavanco.

O equilíbrio dela falhou por um segundo.

Antes que pudesse reagir, a mão de Alexandre envolveu-lhe a cintura, firme e segura, puxando-a instintivamente para si.

O mundo pareceu parar.

O corpo dela encostou ao dele.

Sofia sentiu a rigidez dos músculos sob o tecido do fato, o calor que irradiava dele, o cheiro discreto e masculino que a envolveu sem pedir permissão.

O ar ficou pesado.

Demasiado perto.

Demasiado intenso.

Os dedos dele mantiveram-se na cintura dela por um segundo a mais do que o necessário.

Os olhos deles encontraram-se.

Mais próximos agora.

Ela conseguiu ver pequenos detalhes que antes tinham escapado, a intensidade silenciosa no olhar dele, a forma como a respiração dele parecia ligeiramente mais profunda.

— Está bem? — perguntou ele, voz baixa.

Mas não se afastou.

Sofia engoliu em seco.

— Estou… sim.

Não parecia convincente nem para ela própria.

Ele hesitou.

Como se estivesse a decidir algo.

Depois, lentamente, afastou a mão… mas não completamente. Os dedos deslizaram pela lateral do corpo dela num gesto quase involuntário, deixando um rasto quente que a fez prender a respiração.

O elevador voltou a mover-se.

Nenhum dos dois falou.

A tensão entre eles já não era apenas curiosidade.

Era algo mais denso.

Mais perigoso.

Quando as portas se abriram, Sofia saiu primeiro, tentando recuperar o controlo sobre o próprio corpo.

Mas sabia.

Sabia que algo tinha mudado naquele momento.

E quando Alexandre caminhou atrás dela, passos lentos e confiantes, ela teve a certeza inquietante de que ele também tinha sentido.

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