Mundo de ficçãoIniciar sessãoSofia ainda sentia o calor do toque dele na mão quando a realidade voltou a encaixar-se à sua volta.
— Porque vai ser comigo. As palavras de Alexandre ecoaram dentro dela como um aviso tardio. — Desculpe… o quê? — perguntou, tentando recuperar a compostura. O sorriso dele aprofundou-se, como se estivesse habituado a provocar reações. — A reunião que veio ter. Sou eu o cliente. O coração dela acelerou. Claro. Fazia sentido. Um homem como ele não estaria ali por acaso. E ainda assim, algo naquela coincidência parecia perigoso. — Não sabia — admitiu, ajustando a pasta nos braços. — Imagino que não. — Ele inclinou ligeiramente a cabeça, observando-a com atenção renovada. — Mas fico satisfeito por ser uma surpresa. O olhar dele desceu por um segundo, avaliando-a sem pressa, e Sofia sentiu um calor inesperado subir-lhe pela pele. — Vamos? — perguntou ele, fazendo um gesto suave na direção dos elevadores. Ela assentiu, tentando ignorar a sensação de que estava a entrar num território desconhecido. Caminhar ao lado dele era estranho. Alexandre não dizia nada, mas a presença dele ocupava espaço, física e emocionalmente. Era como se cada passo fosse calculado, cada movimento consciente. Quando chegaram ao elevador, as portas abriram-se com um som suave. Entraram. Silêncio. O espaço fechado parecia demasiado pequeno para conter aquela tensão. Sofia fixou o olhar nos números luminosos que subiam lentamente, tentando controlar a respiração. Sentia o calor dele ao lado, próximo o suficiente para que os braços quase se tocassem. — Está nervosa — comentou ele, sem julgamento. — Não estou. Ele soltou uma pequena risada baixa. — Está. Ela virou-se para responder… e nesse movimento o elevador parou abruptamente num pequeno solavanco. O equilíbrio dela falhou por um segundo. Antes que pudesse reagir, a mão de Alexandre envolveu-lhe a cintura, firme e segura, puxando-a instintivamente para si. O mundo pareceu parar. O corpo dela encostou ao dele. Sofia sentiu a rigidez dos músculos sob o tecido do fato, o calor que irradiava dele, o cheiro discreto e masculino que a envolveu sem pedir permissão. O ar ficou pesado. Demasiado perto. Demasiado intenso. Os dedos dele mantiveram-se na cintura dela por um segundo a mais do que o necessário. Os olhos deles encontraram-se. Mais próximos agora. Ela conseguiu ver pequenos detalhes que antes tinham escapado, a intensidade silenciosa no olhar dele, a forma como a respiração dele parecia ligeiramente mais profunda. — Está bem? — perguntou ele, voz baixa. Mas não se afastou. Sofia engoliu em seco. — Estou… sim. Não parecia convincente nem para ela própria. Ele hesitou. Como se estivesse a decidir algo. Depois, lentamente, afastou a mão… mas não completamente. Os dedos deslizaram pela lateral do corpo dela num gesto quase involuntário, deixando um rasto quente que a fez prender a respiração. O elevador voltou a mover-se. Nenhum dos dois falou. A tensão entre eles já não era apenas curiosidade. Era algo mais denso. Mais perigoso. Quando as portas se abriram, Sofia saiu primeiro, tentando recuperar o controlo sobre o próprio corpo. Mas sabia. Sabia que algo tinha mudado naquele momento. E quando Alexandre caminhou atrás dela, passos lentos e confiantes, ela teve a certeza inquietante de que ele também tinha sentido.






