Mundo de ficçãoIniciar sessão
POV Paige Bellini
— Você irá se casar com Alessandro de Lucca Montrelli. — disse o meu pai.
Ergui a cabeça, deixando de lado os rabiscos que eu teimava em fazer na folha e o encarei. Meu pai sustentou meu olhar, tentando parecer sério.
Dei uma gargalhada, peguei minhas folhas, botei numa pasta e levantei. Antes que eu pudesse passar pela porta, ele me pegou pelo braço:
— Eu não estou brincando, Paige. Aliás, eu nunca falei tão sério na vida.
Olhei para os dedos dele firmes no meu braço e hesitei antes de dizer:
— Você não faria isso comigo.
— Realmente eu não faria. Mas isso mudou no momento em que eu soube que você está de romance com o filho do meu motorista.
Como ele soube? Não, não tinha como!
— Se era para chamar a minha atenção, saiba que conseguiu.
Respirei fundo e decidi confessar:
— Ok, eu realmente estou apaixonada por Lisandro.
Meu pai apertou ainda mais o meu braço e riu, com ironia:
— Você não sabe o que é amor, Paige. E juro que nunca ficará com alguém feito Lisandro.
Ele não pareceu surpreso. Ou seja, certamente sempre soube o que estava acontecendo.
Preferi ignorar e sair. Geralmente dava certo. Mas não daquela vez.
Meu pai puxou-me até o sofá e me jogou nele. Caí sentada, atordoada. Era a primeira vez que ele agia daquela forma.
— Estou farto das suas tentativas de manchar a minha reputação.
— Pai... eu... não faço isso.
— Mimei você demais, Paige. Fiz por você coisas das quais eu não me orgulho. Mas não vou deixar que destrua o meu sonho de ser o presidente do país.
— Desde quando Lisandro te prejudicaria nisso? Como você mesmo disse, ele é só “o filho do motorista”.
— Era — ele me corrigiu — O pai e a mãe dele foram demitidos hoje pela manhã.
Levantei, atordoada:
— Como assim? Para onde você os mandou?
— Tentei mandá-los para o quinto dos infernos. Mas estava cheio. Então os joguei no subúrbio, num lugar o qual você jamais ousaria pisar os pés.
— Você não pode fazer isso. — falei, entredentes, sentindo meus olhos arderem de raiva.
— Eu posso fazer o que eu quiser, Paige.
— Não vou me casar com esse homem que sequer conheço. Você não tem direito de fazer isso comigo.
— Alessandro apoiará a minha candidatura caso você aceite. E se eu o tiver ao meu lado, serei o próximo presidente.
Ele falava de forma tão fria e firme que senti minhas mãos tremerem levemente e as folhas de papel que eu segurava se espalharam pelo sofá.
— Eu sou a sua filha e não uma moeda de troca.
— Estou farto de fazer tudo por você, Paige. Quero que cresça. E se para isso tiver que afastá-la de mim, tudo bem.
— Não estou falando de crescimento ou amadurecimento, pai. Estamos falando do quão você prioriza a sua candidatura mais que a própria filha.
— Pense o que quiser. Em um mês, casará com Alessandro.
Eu ri, com escárnio:
— Vai me entregar a um velho em troca do seu nome na história do país? Eu sou a sua única filha, sou tudo que você tem.
— Não consigo mais te controlar, Paige. Se eu não der um basta, você arruinará a minha candidatura.
— Eu amo Lisandro.
Ele riu, sem humor:
— Poupe-me de seu discurso barato de garota apaixonada. Você jamais ficará com Lisandro.
Abaixei a cabeça, tentando processar tudo que estava acontecendo:
— E se eu não aceitar? — claro que eu não aceitaria, mas gostaria de saber até onde meu pai estava disposto a ir por conta do preconceito que tinha por Lisandro ser pobre.
— Se não aceitar, eu irei cortar sua mesada e todos os cartões. Então, pode viver de amor com Lisandro, numa casa de dois cômodos, um banheiro e tendo que trabalhar para sustentar a família.
— Existe casa de dois cômodos? — meu pensamento saiu em voz alta.
Ele riu, com desdém:
— Você sobreviveria um dia com Lisandro. O mundo dele jamais se comparará ao seu, Paige.
— Por que você escolheu esse Alessandro, pai? Foi para me dar uma lição? Por que não o filho do senador Vasconcellos? Por que não o primogênito do governador?
Aqueles homens eu conhecia muito bem e poderia facilmente fazer um acordo com eles e vivermos um casamento de fachada, cada um fazendo o que bem entendesse.
— Quem disse que eu o escolhi?
Arqueei uma sobrancelha, sentindo um frio percorrer a minha espinha.
— Pai...
— Alessandro De Lucca Montrelli escolheu você, Paige. Ele me ofereceu apoio político e amparo financeiro para as campanhas. Em troca você fica casada com ele por um ano.
— Um... ano?
— Sim, um ano. É o tempo que necessito para ganhar a eleição e que ele precisa para agradar ao avô.
— Isso é ridículo. — eu ri, ainda incrédula com o que estava acontecendo.
— Alguma vez passou pela sua cabeça que pudesse escolher seu próprio marido? Pessoas como nós se casam por conveniência, Paige. Temos impérios a preservar e isso só é possível com alianças políticas ou financeiras.
— Me recuso a aceitar.
Ele gargalhou e foi em direção à porta de saída:
— Você não está em condições de aceitar ou não. — Virou-se para mim antes de fechar a porta — Não entenda como um pedido, Paige. É uma ordem.
Fiquei ali, naquele sofá, olhando para os livros que cobriam as paredes do chão ao teto da biblioteca da minha casa.
Eu tinha uma boa relação com o meu pai. Tínhamos nossas desavenças, mas geralmente ele sempre encobria as porras que eu fazia e me perdoava. No entanto, no momento que decidiu ser o presidente, meu pai ficou obsessivo. E passou a viver 24 horas do dia em função disso.
E não, eu não me envolvi com Lisandro para chamar a atenção e sim porque ele me amava, me via como eu realmente era e se preocupava comigo.
Peguei meu celular e digitei “Alessandro De Lucca Montrelli”.
Não havia uma única fotografia sequer daquele homem. Ele não tinha redes sociais, nunca tinha concedido uma entrevista ou se envolvido em escândalos. Nem sequer suas propriedades podiam ser fotografadas. Parecia um fantasma.
A maioria das reportagens não falavam sobre ele e sim sobre a Maison Montrelli, a empresa em que era o CEO.
"Maison Montrelli ultrapassa marcas históricas e torna-se a empresa de joias e pedras preciosas mais valiosa do mundo."
"Fortuna de Alessandro Montrelli cresce mais de duzentos bilhões em apenas um ano."
"Especialistas chamam fundador da Maison Montrelli de o homem que transformou pedras em império."
Uma matéria me chamou a atenção. Explicava que Alessandro havia fundado a Maison Montrelli aos vinte e poucos anos, começando com a compra e revenda de pedras raras. Em menos dez anos, havia construído um conglomerado presente em dezenas de países, controlando minas, lapidação, leilões internacionais e algumas das joalherias mais exclusivas do planeta.
CEO INVISÍVEL. Era a definição dele em algumas páginas da internet.
Rolei as páginas. Faturamento anual recorde, detentor de um dos maiores patrimônios do mundo. E ainda assim, nenhuma imagem.
E aquilo me intrigou.
Mandei uma mensagem para Lisandro e Lucy:
Precisamos nos ver. Urgente. Mesmo local de sempre.







