Minhas pernas... eu não sinto minhas pernas.
— Eu... eu não consigo dirigir — confesso, a voz embargada pela humilhação de estar tremendo na frente dele. — Minhas pernas... eu não sinto minhas pernas.
Ele ri e eu abro a porta do carro com dificuldade, sentindo o mundo girar. Quando coloco os pés no chão, meus saltos parecem agulhas instáveis. Eu quase caio, minhas pernas falham miseravelmente. Eu me apoio na porta, respirando fundo, tentando não desabar ali mesmo, na calçada rachada da Zona Norte.
Daniel sai do carro com a agilidade de um