Lilian
O som de correntes sendo arrastadas no chão me puxou para fora da inconsciência aos poucos, como se alguém estivesse me arrastando de volta para um corpo que eu já não queria habitar. O barulho metálico era pesado, constante, irritante. Depois veio o cheiro. Ferrugem antiga. Umidade. E algo pior. Carniça.
Algum animal morreu ali. Ou alguém.
Senti o frio antes mesmo de entender onde estava. Um frio que não vinha apenas da superfície gelada contra a minha pele, mas de um abandono profundo, como se aquele lugar tivesse sido esquecido pelo tempo e pelo mundo.
Abri os olhos devagar. A visão demorou a se ajustar. Tudo girava. As paredes à minha frente estavam descascadas… não, não era tinta. Era ferrugem. Camadas e camadas de metal corroído, denunciando anos de negligência e violência silenciosa.
Tentei me sentar, meu corpo estava pesado, lento. Puxei a perna por reflexo, e senti um peso adicional.
Olhei para baixo.
Uma corrente grotesca envolvia meu tornozelo, grossa, antiga, estend