Alonzo
O quarto de hospital cheira a remédio e solidão. É estranho como o silêncio aqui parece sempre mais alto. O bip dos aparelhos, o perfume distante de álcool e desinfetante, a claridade fria vinda da janela. Tudo isso vai criando um cenário onde até o simples ato de respirar parece cansativo demais.
Eu olho para o teto, sem realmente ver. Tem dias que eu acordo esperando que ela venha. Outros, eu só acordo.
A porta se abre. O médico entra com uma prancheta nas mãos e uma expressão cansada,