Silverwood Nunca Sai de Você

Vincent Harrington:

Sem dar muita importância ao assunto, dei o meu primeiro gole na cerveja e quase cuspi em seguida. Estava horrível. Quente como o inferno. Eu definitivamente não ia tomar aquilo.

Percorri os olhos ao redor, à procura de Harold, e o avistei do outro lado do bar, completamente enrolado anotando pedidos em seu velho caderninho e usando uma caneta que parecia se recusar a soltar tinta.

Aquele lugar realmente havia parado no tempo.

Entendendo que, caso quisesse uma cerveja decente, eu mesmo teria que ir atrás dela, me levantei e segui para o balcão. No caminho, passei pela entrada do estabelecimento e uma voz feminina e aflita chamou a minha atenção.

— Por favor, saia da minha frente. Eu preciso entrar. Já disse que não quero nada com você.

Vi as costas de um homem parado diante da porta, provavelmente impedindo que alguém de fora pudesse entrar. Já fazia uns bons meses desde a última vez que eu estivera ali, mas reconheci o sobrinho babaca de Harold, especialmente pela forma estúpida com a qual ele aparentemente importunava uma mulher.

— Por que ficar bancando a difícil? Sei que você também quer.

— O que eu quero é que você saia da minha frente — a mulher respondeu, agora com mais ênfase.

— Qual é, gatinha? O problema é grana? Te pago o dobro do que você receberia em uma noite inteira de gorjetas limpando mesas aqui.

Eu estava ouvindo bem? O parasita estava mesmo oferecendo dinheiro em troca de sexo a uma cliente do bar?

Quando dei por mim, já estava me aproximando e, apoiando a mão no parapeito da porta, falei:

— Acho que não deve ter ouvido direito, mas a moça disse que você está atrapalhando o caminho dela.

Ele se virou e percebi um leve incômodo no seu olhar, que mostrava que, apesar de se ser bem corajoso para intimidar uma mulher, ele não se sentia tão à vontade em ser flagrado fazendo isso.

Mas ele logo tentou disfarçar, abrindo um sorriso.

— Mas olha só quem está de volta a este fim de mundo. O Harrington bem-sucedido decidiu desistir dessa bobagem de faculdade e voltar para casa?

Eu não ia perder meu tempo desmentindo a conclusão dele, tampouco explicando meus motivos para estar ali. Apenas segui a encará-lo e reforcei:

— A moça continua aguardando que você saia do caminho dela. E o seu tio parece bem ocupado. Você não deveria ir ajudá-lo?

Ele não gostou muito do confronto. Contudo, não insistiu e apenas bufou, enfim dando um passo para o lado e desobstruindo a entrada.

Só então voltei meus olhos para a mulher que estava do lado de fora, e este olhar levou um pouco mais de tempo do que eu previa.

Era bem jovem, talvez não tivesse nem vinte anos, e muito bonita. Tinha os cabelos em um tom acobreado de ruivo, presos por uma longa trança lateral que caía sobre seu ombro direito, os olhos castanhos e um corpo bem atraente sob um vestido que, apesar de levemente solto, demarcava bem as suas curvas.

Ela sorriu e... puta que pariu.

Aquilo pareceu exercer um feitiço sobre mim, que tornou mais difícil tirar meus olhos dela.

— Obrigada — ela disse, com a voz baixa e extremamente doce.

Talvez aquele fosse o momento de eu parar de olhá-la fixamente como se eu fosse mais um tarado em seu caminho.

— Não foi nada. Se o parasita voltar a te perturbar, pode reclamar diretamente com o Harold.

— Parasita? Fala do Louis?

Louis... isso. Esse era o nome dele.

Mas por que eu lembraria do nome de alguém tão irrelevante?

— É. Ele é sobrinho do dono do bar e, teoricamente, trabalha aqui. Se ele seguir te perturbando durante a noite, pode reclamar diretamente com o Harold. Ele está bem...

Comecei a olhar ao redor, à procura de Harold, quando ele mesmo gritou:

— Ei, Arabella! Até que enfim você chegou, menina. Anda, preciso de você atendendo as mesas.

Atendendo as mesas?

Voltei a olhar para a garota, que voltou a sorrir.

— Pode deixar que, se precisar, eu falo com o Harold. Mais uma vez, muito obrigada, e...

— Arabella! — Harold voltou a gritar.

— ...Eu preciso ir — ela completou, antes de adentrar correndo pelo bar, indo até Harold.

Que, aparentemente, era seu patrão.

Então, ela era a tal garota que ele havia contratado?

Logan e Ethan tinham razão. Ela parecia ser nova na cidade.

E, bem... ela era, de fato, uma "belezinha".

— Mal voltou e já está de olho na forasteira, não é? — A voz do parasita... Louis... chegou aos meus ouvidos, e com isso me dei conta de que eu ainda seguia aquela garota com os olhos.

Julguei que aquilo nem era digno de resposta. Eu tinha defendido a moça antes mesmo de vê-la. Tinha apenas agido como qualquer homem de verdade agiria vendo uma mulher sendo acuada por um filho da puta covarde.

Ia apenas seguir meu caminho para trocar a bendita garrafa que ainda estava em minha mão. Mas antes que eu pudesse dar o primeiro passo, Louis advertiu:

— Pode tentar, se quiser. Mas acho que a Arabella não seria um bom negócio para você. Nem para nenhum dos seus primos.

— O que quer dizer? — indaguei, voltando a encará-lo.

Inicialmente, deduzi que aquilo fosse uma ameaça, mas achei estranho que ele envolvesse meus primos naquilo.

— A garota pode ser uma forasteira, mas não está sozinha em Silverwood. Ela é neta da Eleanor.

Após jogar aquela informação, ele abriu um leve sorriso e se afastou.

Neta da Eleanor...

Da pessoa que odiava toda a minha família.

(...)

Arabella Sinclair:

Depois de atender todos os pedidos acumulados, ouvi um longo sermão de Harold pelo meu atraso de mais de uma hora.

Eu não costumava atrasar, mas naquela noite tive um problema com a caminhonete da minha avó e não consegui sinal de celular para pedir ajuda. Dei sorte de outro carro passar algum tempo depois e o motorista, muito prestativo, me ajudar a desatolar o veículo.

Para aumentar meu atraso em mais alguns bons minutos, Louis tinha me interceptado na entrada e, como já tinha feito nos dias anteriores, parecia incansável em tentar me convencer a ir para a cama com ele.

Para a minha sorte, alguém tinha surgido para interceder por mim. Eu era realmente muito grata ao rapaz que me livrou daquela situação.

Depois que Harold terminou seu discurso, pude voltar ao trabalho. Saí de trás do balcão e fui até uma mesa onde um casal pedia a conta. Antes de irem embora, eles me deram cinco dólares de gorjeta, e guardei o dinheiro com cuidado no bolso do meu avental. Iria me ajudar muito, já que o salário que Harold me pagava era ridículo.

Comecei a recolher os pratos, copos, garrafas vazias, talheres e guardanapos usados sobre a mesa e, enquanto fazia isso, desviei os olhos para o som de gargalhadas masculinas que vinham de uma mesa próxima. Era para ter sido apenas uma olhada rápida, se não fosse o fato de que, dentre os cinco homens sentados ali, estava o que tinha me livrado das investidas de Louis.

Ele ria, ouvindo alguma história que era contada por outro dos rapazes, e eu pude reparar melhor nele. Estava tão nervosa no nosso primeiro contato, que não tinha observado coisas óbvias como o quanto ele era bonito. Para ser bem sincera, aquela mesa parecia ter sido ocupada após uma criteriosa seleção de beleza masculina, porque absolutamente todos os cinco eram bem gatos. Mas minha atenção se prendeu mais ao que tinha me ajudado minutos antes.

Como era mesmo o sobrenome dele, que Louis havia dito?

Harrington, eu acho.

De alguma forma, ele se destacava em meio aos outros.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP