Capítulo 5

— Uma noite sem caras, é? — brinco, olhando para ela com as sobrancelhas levantadas em desafio.

— Exatamente — ela dá uma pausa. — Até pelo menos eu ficar bêbada. Depois disso não posso prometer.

Solto uma gargalhada. Pelo menos ela é sincera. É o que eu mais amo nela.

Nesse momento, Lucian retorna com duas taças: uma com o drink rosa e outra da cor laranja, colocando cada uma em nossa frente. Eu fiquei com a rosa.

— Bom aproveito, garotas. Se precisarem, só chamam — ele diz em tom animado e se retira.

Ficamos o encarando por um momento e suspiramos em uníssono.

— Ele realmente é muito bonito — Madson diz, tomando um gole do seu drink.

— Pior que é mesmo — tomo um gole do meu também, que, por sinal, está uma delícia.

Nós nos olhamos e rimos uma da outra. Se já estávamos rindo à toa daquela forma, nem queria ver quando estivéssemos bêbadas.

Depois de três taças de drink, eu já estava mais do que animada. Mal sabia dizer por que estava feliz ou triste; tudo parecia muito mais divertido do que deveria. O mais divertido era dançar; eu me sentia livre fazendo passos sensuais e, às vezes, divertidos junto com Madson.

Alguns rapazes até tentaram se aproximar de mim e dela, mas no começo recusamos todos, por ser a "noite das garotas". Até eu precisar ir ao banheiro. No meio da dança, por beber demais, senti uma leve tontura e a bexiga apertada.

— Já venho! — grito para minha amiga, para sobrepor a música alta no meio da pista.

— Vai lá, gata! — Ela faz um sinal de positivo com o polegar, voltando a dançar ao som do remix do DJ.

Caminho meio cambaleante em direção ao banheiro, que ficava um pouco longe da pista, tendo que passar novamente pelo bar. Ao entrar no banheiro feminino, fico feliz em saber que está vazio. Escolho a primeira cabine e aproveito enquanto faço xixi para dar uma leve descansada e esperar a tontura passar.

Fico bons minutos ali, recuperando um pouco da compostura e dos pensamentos, o que eu não deveria ter feito. Acabo lembrando de tudo o que houve de trágico nas últimas semanas: Sebastian, meu emprego... quase sinto a dor começar a me preencher. Respiro fundo e finalmente me levanto, quase a contragosto, tentando me convencer de que é só um momento ruim, que as coisas irão melhorar, que eu estava ali para me divertir, beber até cair e amanhã acordar com muita ressaca. Era para isso que eu estava ali: para me divertir com minha melhor amiga. É o que deveria ser.

Ao sair do banheiro, tenho a brilhante ideia de chamar Madson para mais algumas rodadas de bebidas, talvez beber algo mais forte, mas paro no caminho. De longe consigo ver Mady, agarrada a um homem e aos beijos com ele; pela roupa, parece um barman.

Será que ela finalmente conseguiu aquele gatinho?

Solto uma risadinha triste, feliz por ela estar com ele e triste porque não vou até lá para atrapalhá-los; então, não é mais a noite das garotas.

— Eu estava certo. — Ouço uma voz familiar. Viro-me por reflexo e me deparo com o barman gatinho, um pouco atrás de mim, também observando a pista de dança. — Sempre tem um pronto para ser devorado por mulheres iguais à sua amiga.

Sua voz estava um pouco mais alta devido à música, mas dava para notar o tom zombeteiro. Pisco um tanto surpresa; achei que fosse ele na pista com Madson, mas agora, olhando com mais atenção para onde Mady e o rapaz dançam, o homem parece mais baixo que o rapaz ao meu lado, e os cabelos são mais compridos e claros.

Quando me volto para o rapaz, abro um sorriso brincalhão e digo:

— Mas não você? — Falo quase a mesma coisa que Mady dissera para ele antes.

Ele sorri igualmente brincalhão e balança a cabeça levemente.

— Menos eu. — Mesmo que ele negasse, parecia haver algo mais em sua voz, como se tivesse algo a dizer, mas guardasse para si.

Ficamos nos encarando, acho que por mais tempo do que parecia normal. Seu olhar era intenso demais; sua postura pareceu se tencionar ainda mais quando eu não desviei o olhar, ele parecia gostar daquilo.

— Então, vai voltar para a pista? — ele pergunta casualmente, finalmente quebrando o silêncio.

— Ah... — Olho em direção à pista. Mady ainda dança com o rapaz, e eu não tenho certeza se quero segurar vela. — Acho que vou beber algo antes. — Só assim para eu ser vela sem me incomodar.

— Boa ideia. — Ele diz, já indo em direção ao bar, que estava bem ao nosso lado. — E já sabe o que vai querer ou vai ficar no Cosmopolitan?

Eu não tinha percebido que tinha parado bem em frente ao bar. O sigo; ele entra para trás do balcão e eu me sento no banco à sua frente. Pensando por um momento, eu tinha gostado do Cosmopolitan, mas não queria ficar no mesmo.

— Eu acho que vou tomar outra coisa para experimentar. O que me indica? — pergunto, me apoiando no balcão com os cotovelos.

Ele cruza os braços, parecendo levemente surpreso, e então diz:

— Forte ou fraco?

— Forte — digo de imediato. Já que não vou ter Madson o tempo todo para me distrair, que a bebida faça isso por ela.

— Hum. — Ele estreita os olhos, me avaliando por um momento, então prossegue: — Você gosta de Coca-Cola? — Penso por um momento em sua pergunta, mas acabo assentindo, fazendo-o abrir um sorriso que parecia misturar diversão e ironia ao sugerir: — Então o Long Island Iced Tea é uma boa escolha.

Não sei que tipo de bebida é essa, mas se ele está dizendo — o especialista —, quem sou eu para discordar?

— Pode ser esse, então. — Aceito a sugestão, já animada.

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