Mundo ficciónIniciar sesiónO barman era exatamente o tipo de homem que você não espera encontrar atrás de um balcão em uma festa de gala. Ele tinha aquele tipo de beleza que não tentava ser bonito — era apenas, naturalmente, devastador.
Seus cabelos eram castanho muito escuro, quase preto, mas completamente bagunçados de uma forma que parecia intencional e, ao mesmo tempo, como se ele tivesse acabado de acordar. Não havia nada de penteado ou controlado neles; caíam sobre sua testa de forma descontraída, quase rebelde. Ele usava óculos — armação preta, moderna — que davam a ele um ar intelectual que contrastava com a informalidade do resto.
Seu rosto era angular, com traços bem definidos: queixo marcado, maçãs do rosto altas, olhos de um verde-escuro profundo, mesmo sob a luz baixa do bar. Havia algo de aristocrático nele, mas que estava completamente desarmado naquele momento.
Ele usava uma camisa social branca, mas completamente despojada: as mangas estavam arregaçadas até o cotovelo, revelando antebraços bem definidos, e os primeiros botões estavam abertos, deixando a gola aberta de forma casual. Não havia jaqueta, não havia formalidade — apenas um homem que parecia estar ali porque queria, não porque precisava.
Quando ele se movimentava atrás do balcão, havia uma graça quase perigosa em cada gesto. Ele conhecia aquele espaço, dominava-o, mas sem arrogância. Era como se o bar fosse uma extensão dele.
Quando nossos olhos se encontraram, ele sorriu — e foi um sorriso genuíno, não aquele sorriso profissional de garçom. Havia algo de travesso nele, como se soubesse exatamente o efeito que causava e achasse isso divertido.
E eu não fui a única a ficar boquiaberta. Madison estava babada pelo garçom, tanto que a garota não perde tempo e responde com malícia:
— O garçom também está no cardápio?
Ele solta um risinho — daqueles tímidos, porém acostumado a ouvir.
— Depende. Tenho certeza de que alguns aqui ficariam felizes em ser devorados por uma mulher tão bonita quanto você — ele responde com um tom educado e brincalhão, como se estivesse tentando sair de uma situação sem deixar ninguém em saia justa.
— E você não? — ela insiste, passando a língua pelos lábios de maneira sexy.
Eu observava aquilo com desconforto e graça ao mesmo tempo. Parecia que eu estava atrapalhando algo, mas ao mesmo tempo, sabia que não duraria muito para que Madson conquistasse seu alvo.
— Eu? — ele fez um gesto afetado e teatral, como se não soubesse que ela estava falando dele o tempo todo. — Fico lisonjeado, mas não estou à procura de diversão no momento.
— Uma pena — Madison suspirou de forma teatral também, me fazendo balançar a cabeça em negação, desacreditada de que eu estava assistindo àquilo. — Quando estiver entediado, pode me procurar. Ficarei feliz em animar sua noite.
— Lembrarei disso — ele responde, mas pareceu mais por pura educação.
— Bom, acho que agora posso pedir — digo com tom humorado para minha amiga. Ela dá uma risadinha e dá de ombros, mordendo os lábios com aquele olhar de quem aprontou e gostou de ser pega.
Quando me volto para o rapaz, ele me olhava com um olhar curioso, mas mantendo a postura descontraída e profissional.
— Claro. Gostaria de alguma sugestão ou tem algo em mente? — ele pergunta, voltando ao profissionalismo, mas algo em sua voz parecia esperar algo, como se já previsse algo.
— Faz tempo que eu não bebo, então não sei exatamente o que pedir. O que me sugere? — pergunto, um pouco nervosa, voltando a me sentir deslocada.
Ele parece um pouco surpreso. Não sei se falei algo errado ou se ele está surpreso por saber que não bebo, mas algo em seu rosto pareceu uma centelha de surpresa e interesse. Só que, da mesma forma que aquela centelha apareceu, ela sumiu — rápida e descontraída, como se fosse coisa da minha cabeça.
Talvez fosse mesmo.
— Se você não costuma beber com frequência, eu começaria com algo mais leve. Fácil de tomar, nem doce demais, nem forte demais. Algo que você possa aproveitar sem se arrepender depois — ele explica de forma casual, mas um tanto sedutora, mantendo os olhos nos meus o tempo todo. — Um Cosmopolitan é uma boa opção.
— Pode ser esse então — digo gentilmente, abrindo um sorriso animado.
Ele hesita por um momento — eu percebi —, mas logo volta a sorrir de forma casual e assente. Depois se volta para Madison.
— E você, senhorita perigosa, gostaria de uma sugestão?
Madison dá uma risadinha e se inclina no balcão, revelando um pouco mais do seu decote. Apoia o cotovelo no balcão e coloca o queixo na mão, fazendo uma cara pensativa.
— Bom, já que o que eu quero não está disponível — a forma que ela diz é tão sugestiva que até eu fiquei sem graça. — Eu quero um P**n Star Martini.
Lucian solta uma risadinha e balança levemente a cabeça em negação, como se não acreditasse que ela estava sendo tão direta. Mas logo volta à postura casual e profissional.
— Boa escolha. Com licença — ele diz com um sorriso casual.
E depois de uma rápida olhada para mim, ele se retira. Assim que ele está em uma distância razoável, Madson e eu nos encaramos e, segundos depois, rimos.
— Madison, você podia ser um pouco mais discreta — digo à minha amiga, rindo um pouco, levemente constrangida.
— Ah, eu só queria ver a reação dele. Foi uma tentativa de acerto ou erro — ela dá de ombros, ainda soltando um sorriso. — Infelizmente deu erro.
— Você acha? — pergunto, surpresa. Madson não é do tipo que desiste fácil e nunca vi nenhum homem que tivesse resistido às suas investidas.
— Ah — ela diz, fazendo uma pausa pensativa. Olha para o rapaz preparando nossos drinks enquanto conversa com seu colega e depois se volta para mim. — Ele é lindo, mas acho que não ficou interessado em mim.
— Você sabe dizer isso só porque ele não entrou nas suas provocações? — pergunto incrédula. — Ele está trabalhando. Quem sabe em algum momento não dá certo?
— Ah, não vou ficar investindo — ela diz, fazendo um gesto com as mãos, como se não tivesse importância. — Além do mais, essa noite é para ser nossa. Viemos aqui para beber e dançar, para você se divertir.
Suspiro um pouco aliviada e grata.







