A música ainda ecoava no salão quando a aula terminou. Palmas, risadas, comentários animados sobre quem pisou no pé de quem. Tudo leve. Tudo normal.
Por fora.
Eu me sentia estranhamente consciente de cada coisa: do suor na nuca, do tecido do vestido grudando levemente na pele, do peso do olhar de Pedro mesmo quando eu não o via diretamente.
Minha mãe parecia feliz. Demais.
— Viu só? — ela disse, segurando minhas mãos. — Você dançou tão bem, Estela. Eu sempre digo que você se esconde nesse mundo