92. A PROTEÇÃO DE HENRIQUE
Naquela mesma noite, o quarto estava mergulhado em uma penumbra tranquila demais para o que Isabela sentia por dentro.
Ela se penteava lentamente diante do espelho, observando o próprio reflexo como quem encara uma estranha. Havia marcas que o tempo não apagava — não no corpo, mas no olhar. Atrás dela, Henrique permanecia em silêncio, respeitando a distância como quem sabe que certas dores não podem ser tocadas de imediato.
Ele se aproximou devagar.
Envolveu Isabela por trás com cuidado, como s