Camila não sabia dizer quanto tempo ficou encostada no peito de Rafael depois que a gravação terminou, só sabia que, em algum momento, o corpo dela começou a doer num cansaço diferente, o tipo de fadiga que não vinha só da mente, vinha da tentativa de manter em pé, ao mesmo tempo, a memória do pai, a imagem da mãe e o futuro do filho. Quando abriu os olhos de novo, a luz do quarto já tinha mudado de posição, escorrendo pela lateral da cortina, e Rafael não estava mais sentado; caminhava de um lado a outro, com o celular na mão, a camisa ainda semi-aberta, falando baixo em espanhol com alguém da segurança.
Quando desligou, voltou até ela com aquele jeito de quem já tomou decisões enquanto os outros ainda tentavam nomear os problemas.
— Eu vou até a casa da sua mãe com o Salazar e o Nicolás — avisou, sem rodeios. — Não quero que essa parte fique na mão de recado de advogado.
Camila sentou-se mais ereta na cama, sentindo o estômago contrair ao ouvir a frase.
— Sem mim?
— Sem você — ele c