Rafael contou tudo sem floreio, sentado na beira da cama, com os cotovelos apoiados nos joelhos e a voz firme, como se estivesse fazendo um relatório de guerra e, ao mesmo tempo, descrevendo algo que não queria que ela tivesse de ouvir. Falou da sala apertada, do sofá gasto, da maneira como Ingrid o recebeu pedindo desculpa pela bagunça, como se isso fosse o maior problema ali. Repetiu as frases mais importantes quase palavra por palavra, o modo como ela se agarrou à versão de que Rosa havia sido um instrumento de justiça divina, de que o dinheiro era uma espécie de compensação invisível pelo que o mundo tirou do marido.
Camila ouviu tudo em silêncio, com as mãos apoiadas no ventre e a coluna reta demais para quem estava exausta. A cada vez que o nome da mãe surgia misturado a contratos, depósitos e chantagem emocional, alguma coisa dentro dela escurecia um pouco mais.
Quando ele terminou, ficou alguns segundos sem dizer nada, apenas observando a reação dela, como se estivesse tentand