Camila não lembrava qual foi a última vez em que um simples trajeto de poucos metros dentro da mesma casa tinha consumido tanta energia. Assim que Rafael fechou a porta do quarto depois da conversa com Luna, o corpo dela começou a cobrar a conta: as pernas ficaram pesadas, a nuca latejou e um enjoo discreto subiu, não o bastante para derrubá-la, apenas o suficiente para lembrá-la de que o organismo já não obedecia só à vontade dela.
Rafael percebeu antes mesmo de ela dizer qualquer coisa.
— Senta — ele pediu, guiando-a de volta para a cama. — Não quero testar teus limites no mesmo dia em que a Luna resolveu fazer graça.
— Foi só uma conversa.
— Não existe “só uma conversa” com ela.
Ela sentou na beira do colchão e tirou o tênis com movimentos mais lentos do que gostaria de admitir. Quando ergueu o rosto, encontrou Rafael parado à frente, as mãos na cintura, a postura inteira em alerta. A camisa escura ainda carregava o cheiro do perfume que Luna espalhara pela sala, como se o encontro