A noite parecia não querer acabar. Em algum momento, o cansaço venceu a vigília e os dois adormeceram enroscados, num emaranhado de pernas, braços e lençóis que não combinava em nada com a imagem controlada que Rafael projetava durante o dia. Ele dormiu pesado por um tempo raro, sem sobressaltos, o rosto encostado na curva do pescoço dela, a mão pousada na cintura como se precisasse do contato para se certificar de que ela ainda estava ali.
Camila foi a primeira a despertar de verdade. Não porque tivesse descansado o suficiente, e sim porque o corpo dela parecia sempre um pouco mais atento do que gostaria. Abriu os olhos devagar, sentindo a pele ainda sensível onde ele tinha passado a boca horas antes, o leve incômodo bom de músculos usados além do comum, e, por alguns segundos, não soube dizer se o que a prendia à cama era o peso de Rafael ou o próprio desejo de não se mover.
Olhou para o rosto dele, tão perto, sem a dureza habitual, e se deu conta de que nunca tinha visto aquela exp