Camila tentou dormir. Virou para um lado, para o outro, ajeitou o travesseiro, puxou a manta, empurrou de volta. O quarto em meia penumbra, a luz fraca do abajur, o brilho sob a porta vindo do corredor onde dois homens faziam a vigília que Rafael tinha ordenado.
O barulho do respirador do bebê, som de ar entrando e saindo que costumava ser o lugar seguro da mente, naquela noite não bastava. Cada suspiro do filho lembrava que havia alguém lá fora estudando a rotina e testando cercas.
Quando virou mais uma vez, percebeu que Rafael continuava no mesmo lugar: sentado na ponta da cama, de costas para ela, sem camisa, os cotovelos apoiados nas coxas, a cabeça baixa.
— Você não vai deitar? — perguntou, a voz rouca de cansaço.
Ele demorou alguns segundos para responder, como se precisasse voltar do lugar onde a mente estava.
— Se eu deitar, eu durmo — respondeu, sem olhar para trás. — Se eu durmo, eu não protejo vocês.
A frase entrou nela como algo doce e cruel. Doce porque mostrava o quanto