Herrera já aprendeu a desconfiar de qualquer detalhe fora do lugar. Depois da revelação sobre o infiltrado, ele passa a madrugada cruzando rotas, revisando turnos, checando câmeras e andando pelos arredores como se estivesse vendo a hacienda pela primeira vez. O sol mal começou a clarear o céu quando decide revisar pessoalmente a área dos currais, ponto que sempre considerou menos provável para invasão por ser mais exposto e fedendo a esterco.
Vai sozinho, com o rádio preso na cintura. O chão ainda está úmido do sereno, a terra misturada com restos de feno e trilha de botas dos peões que chegaram antes. Nada ali deveria chamar atenção. Até que chama.
Um brilho diferente no barranco de terra batida, perto do bebedouro, corta a paisagem marrom. A princípio parece água escorrida, mas a cor não é a mesma. Herrera se aproxima, agacha, observa com atenção. O líquido se espalha em linha irregular, escuro demais, viscoso demais. Ele passa a ponta dos dedos por cima, cheira. Diesel. Fresco.
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