Camila ficou com aquela frase martelando dentro do peito desde o interrogatório: não era mais só um homem com ódio, era uma estrutura. Pessoas, rotas, frota antiga, decisões velhas que ainda respingavam sangue em cima da cama onde o filho dela dormia. Estava cansada de ouvir pela metade, de ser poupada como se fosse frágil, de temer um inimigo cujo rosto ninguém lhe mostrava.
Passou a tarde andando pela casa que agora parecia menor do que nunca. Cada corredor tinha um guarda, cada janela tinha tranca dupla. Em vez de se sentir protegida, sentia-se cercada.
Ela não sobrevivia no escuro.
Quando o bebê finalmente dormiu, Camila ajeitou a manta, pediu para Nazaré ficar de olho e saiu do quarto com o mesmo tipo de decisão que a fizera enfrentar Rafael tantas outras vezes.
Encontrou-o no escritório, cercado de papéis e mapas. Ele estava em pé, as mãos apoiadas na borda da mesa.
— Rafael.
Ele ergueu os olhos, pronto para perguntar do bebê. Mas alguma coisa na postura dela o fez parar. Ela nã