Camila passou o resto do dia com a sensação de que andava em círculos dentro de um labirinto que encolhia. Cada porta que tentava abrir tinha um segurança, cada janela que se aproximava era fechada por Rafael antes que ela encostasse o rosto no vidro. O bilhete reaparecendo na estrada parecia ter entrado nele como veneno, e a reação era enrijecer o mundo inteiro em volta dela.
Quando subiu para o quarto com o bebê e viu dois homens posicionados na porta, algo se quebrou. Aquilo já não era reforço, era clausura. Deixou o filho no berço, esperou o choro se transformar em resmungo e desceu de novo, encontrando Rafael na sala, de costas para a lareira apagada, mangas arregaçadas, o corpo ainda em modo de combate.
— Você não pode trancar a casa como prisão — disse, parando no meio do cômodo.
Ele ergueu o rosto, o olhar duro.
— Eu posso e vou.
— Não é proteção, é sequestro — rebateu. — Eu não fiz nada para virar cativa do seu medo.
Rafael deu um passo na direção dela, vibrando entre raiva e