— Rafael…
O nome saiu entre os dentes dela, baixinho, mas com raiva. Um chamado quase cuspido. Ele já estava de costas, a mão na maçaneta, pronto pra sair — mas girou nos calcanhares como se tivesse tomado um soco no peito. Os olhos estavam escuros, vermelhos de algo que não era mais só ciúme. Era raiva, desejo, frustração acumulada.
Chegou tão perto que o ar entre os dois desapareceu. Os peitos dela subiram e desceram num soluço contido, mas ele já estava ali — peito colado no dela, a boca a centímetros, a respiração quente.
— Você gosta de provocar?
Ela ergueu o queixo com aquele desprezo insolente que sempre o atiçava.
— E você gosta de sumir. Só aparece pra me olhar como se ainda fosse dono de mim.
Ele sorriu de lado. Cínico. Um sorriso que não chegava nos olhos. Depois segurou a cintura dela com as duas mãos e a empurrou devagar até prensá-la contra a parede mais próxima. O beijo não veio — veio o hálito quente, o nariz roçando no dela, a mão subindo por baixo do vestido com um o