O dia parecia mais calmo, mas era engano. A casa continuava carregada, só que o barulho tinha se recolhido para dentro das salas de reunião. No café, Camila ouviu Ingrid falar da vila e de um remédio que precisava buscar na farmácia, e sentiu um incômodo simples: fazia dias que não via nada além de paredes, pátio e a porta fechada do escritório de Rafael.
Ingrid a encarou por cima da xícara.
— Eu vou à vila daqui a pouco — avisou. — Se quiser sair um pouco, vem comigo. A babá fica com o pequeno.
Camila pensou na conversa que teria se fosse avisar Rafael: segurança, rota, horário, olhar de controle. Depois pensou no que vinha recebendo dele nos últimos dias: “depois conversamos”, portas fechadas, distância. O peso se inclinou para o lado mais egoísta.
— Vamos — disse. — Antes que eu mude de ideia.
Avisou à babá, beijou o filho dormindo, pegou a bolsa. Quando o carro cruzou o portão, o estômago apertou, mas cedeu assim que a estrada se abriu. Na vila, entraram na farmácia, resolveram as