Na manhã seguinte, Camila acordou com a fadiga de sempre e uma irritação nova arranhando por dentro. A frase de Rafael rodava na cabeça — se eu tocar em você, eu me perco — como se o desejo dele fosse problema a ser contido, não algo dividido com ela. Pensar nisso de moletom velho e cabelo preso de qualquer jeito só piorava.
Abriu o armário e o moletom foi a primeira peça que a mão encontrou. Pegou, hesitou e largou em cima da cama. Ficou alguns segundos diante dos cabides. Havia vestidos que não fechavam, calças que não subiam, camisetas largas demais. Escolheu uma regata preta de alça fina e uma calça legging escura que abraçava as pernas. Nada extravagante, apenas roupa de quem lembrava que o corpo ainda existia para além da espera.
No espelho, prendeu o cabelo em um rabo alto, passou rímel, acendeu o olhar. O perfume veio por último, uma borrifada leve daquele cheiro que Rafael sempre reconhecia. Não estava se vestindo para ele, repetiu para si mesma. Estava se vestindo para não d