A noite desceu sobre Jalisco como uma cortina pesada e quente, carregada do cheiro adocicado do agave queimado e da tensão que se espalhava pela Hacienda desde a sabotagem do tanque. Os funcionários circulavam com pressa contida, falando baixo, olhando por cima dos ombros como se esperassem que o chão abrisse a qualquer momento. E no centro desse turbilhão, Camila sentia o corpo pulsar com a adrenalina que ainda corria forte, não apenas pela explosão, mas pela mão de Rafael segurando sua cintura com firmeza desde o momento em que a puxara para longe do fogo.
Era como se ele precisasse desse contato para lembrar que ela estava viva.
— Vamos sair daqui — Rafael disse, guiando-a para longe da ala oeste.
— Eu posso ajudar na análise — Camila respondeu, tentando manter a lucidez.
— Eu não quero você perto de nada que possa te machucar — ele rebateu, sem desviar os olhos. — Hoje foi longe demais.
A mão dele apertou a cintura dela com tanta força que a respiração de Camila se desfez por um i